USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Recém-nascido de 2500 g está com obstrução intestinal e foi indicada cirurgia. Durante a cirurgia a temperatura do paciente manteve-se entre 35,5 °C e 36°C, com duração total de tempo anestésico de 3 horas e 40 minutos. Ao término da cirurgia o bebê estava completamente molhado. No retorno à Unidade de Terapia Intensiva neonatal a temperatura foi 35,8 °C. Tendo em vista a evolução da temperatura em todo o ato operatório, qual o risco de complicação metabólica esperado em pós-operatório imediato?
Hipotermia perioperatória em RN → ↑ risco de acidose metabólica, hipoglicemia e coagulopatia.
A hipotermia em recém-nascidos durante e após cirurgias é uma complicação grave que aumenta o consumo de oxigênio e glicose, levando à anaerobiose e acúmulo de lactato, resultando em acidose metabólica. A perda de calor por evaporação (bebê molhado) agrava o quadro.
A hipotermia neonatal, definida como temperatura corporal abaixo de 36,5°C, é uma complicação comum e grave em recém-nascidos submetidos a procedimentos cirúrgicos, especialmente em prematuros ou neonatos de baixo peso. Sua incidência é alta devido à imaturidade dos mecanismos de termorregulação, grande superfície corporal em relação ao peso e pouca gordura subcutânea. A manutenção da normotermia é crucial para o bom prognóstico. Fisiologicamente, a hipotermia aumenta o consumo de oxigênio e glicose para tentar gerar calor, levando a um estado de estresse metabólico. Quando o corpo não consegue suprir essa demanda, o metabolismo passa a ser anaeróbico, resultando na produção excessiva de lactato e, consequentemente, em acidose metabólica. Outras complicações incluem hipoglicemia, coagulopatias, aumento da resistência vascular pulmonar e maior risco de infecções. O manejo da hipotermia perioperatória inclui medidas ativas de aquecimento, como o uso de incubadoras, colchões térmicos, fluidos intravenosos aquecidos e manutenção de um ambiente cirúrgico aquecido. O monitoramento contínuo da temperatura é fundamental para identificar e corrigir precocemente qualquer desvio. A acidose metabólica deve ser tratada com correção da causa subjacente e, se grave, com bicarbonato de sódio, sempre com cautela.
A hipotermia em neonatos cirúrgicos aumenta o risco de acidose metabólica, hipoglicemia, coagulopatias, arritmias e maior morbimortalidade.
A hipotermia aumenta o consumo de oxigênio e glicose, e quando a demanda excede a oferta, ocorre metabolismo anaeróbico, com produção de lactato e consequente acidose metabólica.
A prevenção envolve o aquecimento da sala cirúrgica, uso de incubadoras de transporte, campos cirúrgicos aquecidos, fluidos intravenosos aquecidos e monitoramento contínuo da temperatura.
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