UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023
Homem, 50 anos, morador de área livre, é encontrado caído na rua por transeuntes, em uma noite de inverno no Rio Grande do Sul. Não se sabem antecedentes pessoais, nem há quanto tempo o homem está caído ao solo. Levado à emergência, onde fora visto paciente inconsciente, com pele fria ao toque e pálida. Sinais vitais: pressão arterial: 60 x 40 mmHg, frequência cardíaca: 52 bpm, frequência respiratória: 12 irpm, saturação de oxigênio: 92% ar ambiente, temperatura axilar: 29,4°C. Eletrocardiograma: bradicardia sinusal, regular, com entalhe no final do QRS, com intervalo QT de 500ms. Ausculta cardíaca: bulhas rítmicas, normofonéticas, sem sopros audíveis. Assinale a alternativa correta
Hipotermia grave (<28°C) ↑ risco de arritmias malignas (FV/TV), especialmente durante o reaquecimento.
A hipotermia grave (<28°C) aumenta significativamente o risco de arritmias cardíacas malignas, como fibrilação ventricular e assistolia, que podem ser precipitadas por manipulação ou reaquecimento rápido. A onda J de Osborn é um achado eletrocardiográfico característico, mas não patognomônico, da hipotermia.
A hipotermia acidental é uma condição grave, frequentemente encontrada em serviços de emergência, especialmente em regiões com climas frios. É definida como uma temperatura corporal central abaixo de 35°C e classificada em leve, moderada e grave. A hipotermia grave, com temperaturas abaixo de 28°C, está associada a um alto risco de complicações cardiovasculares e neurológicas, sendo um tema crítico para a formação de residentes. A fisiopatologia da hipotermia envolve a diminuição do metabolismo celular e a disfunção de múltiplos sistemas orgânicos. No sistema cardiovascular, a hipotermia causa bradicardia, prolongamento dos intervalos do ECG e, notavelmente, a presença da onda J de Osborn. O risco de arritmias malignas, como fibrilação ventricular (FV) e assistolia, aumenta progressivamente com a queda da temperatura, sendo a FV a arritmia mais comum em temperaturas abaixo de 28°C. A manipulação do paciente hipotérmico pode precipitar essas arritmias, exigindo cautela. O manejo da hipotermia grave foca no reaquecimento gradual e no suporte hemodinâmico. Em caso de parada cardiorrespiratória, a RCP deve ser mantida, e o paciente deve ser reaquecido, pois o prognóstico melhora significativamente com o reaquecimento. É fundamental que os residentes compreendam os achados eletrocardiográficos, os riscos de arritmias e as estratégias de reaquecimento para otimizar o cuidado desses pacientes complexos.
Na hipotermia, o ECG pode mostrar bradicardia sinusal, prolongamento dos intervalos PR, QRS e QT, e a presença da onda J de Osborn (ou onda de Osborn), que é um entalhe positivo no final do complexo QRS, mais proeminente em derivações precordiais.
A hipotermia afeta a condução elétrica do coração, tornando o miocárdio mais irritável e suscetível a arritmias. Temperaturas corporais muito baixas podem levar à fibrilação ventricular ou assistolia, especialmente durante a manipulação do paciente ou reaquecimento rápido, devido à instabilidade miocárdica.
Em caso de PCR em hipotermia, a prioridade é iniciar as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) e proceder ao reaquecimento ativo. O paciente não é considerado morto até que esteja aquecido e sem resposta à RCP. Ritmos chocáveis devem ser desfibrilados, mas a resposta pode ser reduzida em temperaturas muito baixas.
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