UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024
Paciente encontrado na rua durante chuva com rebaixamento do nível de consciência. Ao chegar no hospital apresenta-se pouco responsivo, com tremores, FC: 68 bpm, PA: 95X50 mmHg, Temp. axilar: 34°C. Sobre esse caso assinale a melhor alternativa:
Hipotermia: Parada de tremores e rigidez muscular progressiva → piora do quadro e hipotermia grave.
A cessação dos tremores em um paciente hipotérmico indica que o corpo esgotou suas reservas energéticas para gerar calor, progredindo para um estágio mais grave da hipotermia, onde a rigidez muscular e a depressão do sistema nervoso central são mais proeminentes.
A hipotermia acidental é uma emergência médica que requer reconhecimento rápido e manejo adequado. É definida como uma temperatura corporal central abaixo de 35°C. Pacientes encontrados em ambientes frios, especialmente com rebaixamento do nível de consciência, devem ter a hipotermia como uma das principais hipóteses diagnósticas. A temperatura axilar pode subestimar a temperatura central, sendo preferível a aferição retal, esofágica ou vesical. A fisiopatologia da hipotermia envolve a perda de calor para o ambiente, levando a uma série de respostas fisiológicas. Inicialmente, o corpo tenta compensar com tremores e vasoconstrição periférica para gerar e conservar calor. Conforme a temperatura cai, a atividade metabólica diminui, resultando em depressão do sistema nervoso central, bradicardia, hipotensão e arritmias cardíacas. A cessação dos tremores e o desenvolvimento de rigidez muscular são sinais de progressão para hipotermia moderada a grave, indicando esgotamento das reservas energéticas e piora do quadro. O tratamento inicial envolve a remoção de roupas molhadas e o aquecimento. Para hipotermia leve, o aquecimento externo passivo (cobertores) pode ser suficiente. Para hipotermia moderada a grave, técnicas de aquecimento ativo (externo e interno) são necessárias, como cobertores térmicos, fluidos intravenosos aquecidos, lavagem gástrica ou vesical com soro aquecido, e em casos graves, circulação extracorpórea. Em parada cardiorrespiratória por hipotermia, a reanimação deve ser prolongada até que o paciente esteja aquecido, pois o prognóstico pode ser surpreendentemente bom.
A hipotermia é classificada em leve (32-35°C), moderada (28-32°C) e grave (<28°C). Sintomas incluem tremores (leve), confusão, bradicardia, hipotensão (moderada), e coma, arritmias graves, rigidez muscular e ausência de tremores (grave).
A temperatura central é crucial para guiar o manejo, pois a temperatura periférica pode ser imprecisa. Ela determina a gravidade da hipotermia e a escolha das técnicas de aquecimento, que podem variar de aquecimento externo passivo a técnicas invasivas.
A regra geral é 'não se declara morto um paciente hipotérmico até que esteja aquecido'. Esforços de reanimação devem ser mantidos até que o paciente atinja uma temperatura central de pelo menos 32°C, a menos que haja lesões letais óbvias.
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