PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Assinale V para verdadeiro e F para falso a respeito das diretrizes europeias do manejo do choque em pacientes graves. ( ) Na fase inicial após o trauma, recomenda-se o uso de uma estratégia de reposição volêmica restrita com uma pressão arterial sistólica alvo de 80x90 mmHg (pressão arterial média 50x60 mmHg) até que o sangramento grave tenha sido interrompido sem evidência clínica de lesão cerebral. Em pacientes com TCE grave (ECG ≤ 8), recomenda-se que seja mantida pressão arterial média ≥ 80 mmHg. ( ) Recomenda-se que o índice de choque (SI) e/ou a pressão de pulso (PP) sejam usados para avaliar o grau de choque hipovolêmico e as necessidades de transfusão. ( ) Exames de imagem precoces usando tomografia de corpo inteiro com contraste para a detecção e identificação do tipo de lesão e da fonte potencial de sangramento não devem ser utilizados como modalidade diagnóstica primária. ( ) Embora os níveis de lactato sanguíneo e os déficits de base estejam bem correlacionados com choque e ressuscitação, essas duas variáveis não se correlacionam estritamente entre si em pacientes gravemente feridos. ( ) Se uma estratégia de reposição volêmica restrita não atingir a pressão arterial alvo, a administração de noradrenalina precoce deve ser evitada para manter a pressão arterial alvo por ocasionar piora na vasoconstrição esplâncnica.
Alvo PAS 80-90 mmHg no trauma (exceto TCE: PAM ≥ 80 mmHg) até controle do sangramento.
A estratégia de hipotensão permissiva visa manter a perfusão orgânica mínima sem exacerbar o sangramento por desprendimento de coágulos ou diluição de fatores de coagulação.
O manejo moderno do choque no trauma baseia-se na 'Ressuscitação de Controle de Danos'. Esta abordagem prioriza a correção da coagulopatia traumática precoce através do uso balanceado de hemoderivados (plasma, plaquetas e hemácias) e a limitação de cristaloides isotônicos, que estão associados a edema tecidual e disfunção orgânica. A monitorização diagnóstica evoluiu para incluir o uso precoce de tomografia de corpo inteiro (Whole-body CT) em pacientes estáveis ou rapidamente estabilizados, permitindo a identificação precisa de focos hemorrágicos. No entanto, em pacientes com instabilidade hemodinâmica extrema, o foco permanece no FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) e na intervenção cirúrgica ou endovascular imediata.
É uma estratégia de ressuscitação volêmica restrita aplicada na fase inicial do trauma, antes do controle definitivo da hemorragia. O objetivo é manter uma pressão arterial sistólica entre 80-90 mmHg (PAM 50-60 mmHg). Isso evita o aumento da pressão hidrostática que poderia deslocar coágulos recém-formados e minimiza a hemodiluição e a hipotermia, componentes da tríade letal do trauma. Esta estratégia é contraindicada em pacientes com suspeita de lesão cerebral ou medular.
O lactato sérico e o déficit de base (base deficit) são marcadores sensíveis de hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbio. Eles são fundamentais para monitorar a gravidade do choque e a resposta à ressuscitação. Embora ambos indiquem acidose metabólica, eles podem não se correlacionar perfeitamente em tempo real devido a diferentes taxas de clearance e causas não hemorrágicas de acidose, mas ambos são preditores robustos de mortalidade no trauma grave.
De acordo com as diretrizes europeias, se a estratégia de reposição volêmica restrita não atingir os alvos pressóricos mínimos, a administração precoce de vasopressores (preferencialmente noradrenalina) pode ser considerada para manter a PAM alvo e garantir a perfusão coronariana e cerebral. O uso de vasopressores não substitui a reposição de fluidos ou hemoderivados, mas serve como suporte temporário para evitar hipotensão extrema enquanto o controle do sangramento é providenciado.
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