HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Homem, 30 anos, vítima de ferimento por projétil de arma de fogo em abdômen, com entrada em região mesogástrica e saída em região lombar. Chega à sala de emergência 30 minutos após o trauma com palidez de mucosa e extremidades frias. Dor abdominal difusa à palpação. PA 80/50 mmHg, FC 130 bpm, FR 30 irpm e Escala de Coma de Glasgow de 14. Em relação ao atendimento inicial e reanimação na sala de emergência, afirma-se: I. A pressão sistólica deve ser elevada para 120 mmHg com solução cristaloide e concentrado de hemácias antes do paciente ser encaminhado ao bloco cirúrgico. II. A infusão de ácido tranexâmico está indicada, mesmo que o tratamento seja cirúrgico. III. A solicitação de TP e KTTP é importante para orientar o uso de plasma e plaquetas na fase de reanimação inicial. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativas.
Trauma abdominal com choque hemorrágico → hipotensão permissiva (PA sistólica 80-90 mmHg) e ácido tranexâmico precoce.
Em trauma abdominal penetrante com choque hemorrágico, a reanimação deve visar a hipotensão permissiva (PA sistólica de 80-90 mmHg) para evitar a ressuscitação excessiva que pode piorar o sangramento. O ácido tranexâmico é indicado precocemente para reduzir a mortalidade por hemorragia, mesmo em pacientes que necessitarão de cirurgia.
O trauma abdominal penetrante é uma emergência cirúrgica que frequentemente cursa com choque hipovolêmico devido à hemorragia interna. A epidemiologia mostra que esses traumas são uma causa significativa de morbimortalidade, especialmente em populações jovens. O atendimento inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na avaliação primária, reanimação e controle da hemorragia. A fisiopatologia do choque hemorrágico envolve a perda de volume sanguíneo, levando à diminuição da perfusão tecidual e hipóxia celular. No contexto do trauma, a reanimação deve ser cuidadosa. A afirmação I está incorreta porque a meta de pressão sistólica de 120 mmHg é muito alta para a fase pré-operatória em um paciente com sangramento ativo; a hipotensão permissiva (80-90 mmHg) é preferível para evitar o agravamento da hemorragia. A afirmação II está correta: o ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que reduz a mortalidade por hemorragia em pacientes traumatizados, especialmente se administrado nas primeiras 3 horas. A afirmação III está incorreta porque, embora TP e KTTP sejam importantes para avaliar a coagulação, na fase inicial de reanimação de um choque hemorrágico grave, a transfusão maciça é guiada por protocolos empíricos (ex: proporção 1:1:1 de concentrado de hemácias, plasma e plaquetas) e não se espera pelos resultados laboratoriais, que podem demorar. O tratamento definitivo é o controle cirúrgico da fonte de sangramento. O prognóstico depende da rapidez e adequação da reanimação e do controle da hemorragia.
O objetivo da hipotensão permissiva é manter uma pressão arterial sistólica entre 80-90 mmHg, permitindo perfusão cerebral e coronariana adequadas, mas evitando o aumento excessivo da pressão que poderia desalojar coágulos e exacerbar o sangramento antes do controle cirúrgico.
O ácido tranexâmico deve ser administrado o mais precocemente possível, idealmente dentro de 3 horas após o trauma, em pacientes com sangramento significativo ou risco de sangramento, independentemente da necessidade de cirurgia, para reduzir a mortalidade por hemorragia.
A reanimação agressiva com fluidos pode ser prejudicial porque dilui os fatores de coagulação, causa hipotermia, acidose e aumenta a pressão hidrostática, o que pode desalojar coágulos e agravar o sangramento. A prioridade é o controle cirúrgico da hemorragia.
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