SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
A hipotensão permissiva é uma estratégia que consiste em manter a pressão arterial a mais baixa possível para evitar a perda ou a mobilização de sangue e de coágulos, mas alta o suficiente para garantir a perfusão dos órgãos vitais. Levando-se em consideração que o paciente não é vítima de traumatismo cranioencefálico (TCE), sua pressão arterial sistólica (PAS) poderia ser mantida, durante 60 minutos, entre
Trauma s/ TCE: PAS alvo 80-90 mmHg (hipotensão permissiva) p/ evitar sangramento e manter perfusão.
A hipotensão permissiva minimiza a ressuscitação volêmica agressiva inicial, prevenindo a diluição de fatores de coagulação e o deslocamento de coágulos formados ('popping the clot').
A hipotensão permissiva baseia-se no conceito de que a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides antes do controle da fonte de sangramento pode ser prejudicial. O aumento súbito da pressão hidrostática pode romper coágulos instáveis, enquanto a hemodiluição reduz a concentração de plaquetas e fatores de coagulação, agravando a 'tríade letal' do trauma (acidose, hipotermia e coagulopatia). Na prática, o médico deve palpar o pulso radial (que indica PAS aproximada de 80 mmHg) como parâmetro clínico rápido. É fundamental distinguir o paciente que se beneficia desta técnica daqueles com contraindicações absolutas, como idosos com hipertensão crônica prévia ou pacientes com lesões neurológicas agudas.
A hipotensão permissiva, ou ressuscitação balanceada, é uma estratégia de manejo hemodinâmico no trauma hemorrágico não controlado. O objetivo é manter a pressão arterial sistólica em níveis subnormais (geralmente entre 80-90 mmHg) para garantir a perfusão de órgãos vitais sem promover o aumento do sangramento por desprendimento de coágulos ou diluição de fatores de coagulação. Essa abordagem é mantida até que a hemorragia seja cirurgicamente controlada, sendo contraindicada em pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) ou trauma raquimedular, onde a perfusão cerebral depende de pressões arteriais mais elevadas.
No traumatismo cranioencefálico (TCE), a autorregulação do fluxo sanguíneo cerebral está frequentemente comprometida. Para manter uma Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) adequada e evitar isquemia secundária, é necessário manter uma Pressão Arterial Média (PAM) mais alta. A hipotensão, mesmo que 'permissiva' para o controle de sangramento sistêmico, pode ser catastrófica para o tecido cerebral lesionado, aumentando significativamente a morbimortalidade. Nesses casos, o alvo de PAS costuma ser >100-110 mmHg.
A hipotensão permissiva é uma medida temporária de 'ponte' até o controle definitivo da hemorragia. Estudos e protocolos como o ATLS sugerem que ela deve ser mantida pelo menor tempo possível, idealmente não ultrapassando 60 a 90 minutos. A permanência prolongada em estado de hipoperfusão relativa pode levar à acidose metabólica grave, disfunção orgânica múltipla e coagulopatia. O foco deve ser sempre a transferência rápida para o centro cirúrgico ou radiologia intervencionista.
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