HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Um paciente de 17 anos de idade chegou ao pronto-socorro com ferimento por arma de fogo no abdome, ocorrido há 30 minutos, na região de hipocôndrio direito. Na admissão, encontrava-se agitado, solicitando ajuda, e seus dados hemodinâmicos eram: PA = 60 mmHg X 40 mmHg, pulso de 134 bpm e frequência respiratória de 32 ipm. Com base no caso clínico apresentado, julgue o item.A reposição volêmica com soro fisiológico 0,9%, 3.000 mL aberto, deve ser iniciada imediatamente, com o objetivo de elevar a pressão arterial, seguida de avaliação da resposta hemodinâmica.
Choque hipovolêmico grave por trauma penetrante → Reposição volêmica cautelosa (hipotensão permissiva) até controle cirúrgico.
Em pacientes com choque hipovolêmico grave por trauma penetrante, a reposição volêmica inicial deve ser criteriosa, visando uma hipotensão permissiva (PAS 80-90 mmHg) para evitar exacerbar o sangramento e a coagulopatia, até o controle cirúrgico definitivo da hemorragia.
O choque hipovolêmico é uma das principais causas de morte evitável no trauma. Em casos de trauma penetrante, como ferimentos por arma de fogo no abdome, a hemorragia interna é a principal preocupação. A abordagem inicial visa estabilizar o paciente e identificar a fonte do sangramento. A reposição volêmica é crucial, mas sua estratégia tem evoluído. Tradicionalmente, buscava-se a normalização rápida da pressão arterial. No entanto, estudos recentes e as diretrizes do ATLS (Advanced Trauma Life Support) preconizam a estratégia de "hipotensão permissiva" em pacientes com trauma penetrante e choque hemorrágico, especialmente antes do controle cirúrgico definitivo. Essa abordagem visa manter uma pressão arterial sistólica entre 80-90 mmHg, o suficiente para perfundir órgãos vitais como cérebro e coração, mas evitando o aumento excessivo da pressão hidrostática que poderia desalojar coágulos e exacerbar o sangramento. A administração de grandes volumes de cristaloides de forma rápida e indiscriminada pode levar à diluição de fatores de coagulação, hipotermia e acidose, piorando a coagulopatia e o prognóstico. Portanto, a reposição deve ser guiada pela resposta do paciente, com volumes menores e reavaliação contínua, enquanto se prepara para o controle cirúrgico da hemorragia.
A hipotensão permissiva visa manter a pressão arterial sistólica entre 80-90 mmHg em pacientes com trauma penetrante e choque hemorrágico, permitindo perfusão cerebral e coronariana sem exacerbar o sangramento até o controle cirúrgico.
As diretrizes do ATLS recomendam bolus de 500 mL a 1000 mL de cristaloides (SF 0,9% ou Ringer Lactato) em adultos, avaliando a resposta do paciente, e não volumes fixos e abertos.
É contraindicada em pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) grave, lesão medular, gestantes e idosos, onde a manutenção de uma pressão de perfusão cerebral adequada é crucial.
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