Hipotensão Ortostática: Manejo e Ajuste de Medicamentos

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 72a, foi avaliada por um episódio de síncope e alguns eventos de sensação de que ia desmaiar. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial e dislipidemia, em uso de hidroclorotiazida 25mg/dia, enalapril 20mg/dia e atorvastatina 40mg/dia. Exame físico: PA=122x78mmHg em posição supina, FC=70bpm. Após três minutos em pé, PA=100x66mmHg, FC=92bpm. Restante do exame físico: normal. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Administrar fludrocortisona.
  2. B) Ajustar a dose dos anti-hipertensivos.
  3. C) Prescrever meia elástica compressiva.
  4. D) Solicitar teste de inclinação ortostática (tilt test table).

Pérola Clínica

Hipotensão ortostática em idosos → revisar e ajustar anti-hipertensivos (diuréticos, IECA).

Resumo-Chave

A hipotensão ortostática é uma causa comum de síncope e pré-síncope em idosos, frequentemente exacerbada por medicamentos. A primeira linha de conduta é revisar e ajustar a terapia farmacológica, especialmente diuréticos e vasodilatadores, que podem contribuir para a queda da pressão arterial ao mudar de posição.

Contexto Educacional

A hipotensão ortostática é uma condição comum em idosos, caracterizada por uma queda significativa da pressão arterial ao se levantar, levando a sintomas como tontura, pré-síncope e síncope. Sua prevalência aumenta com a idade e com a presença de comorbidades como hipertensão, diabetes e doenças neurológicas, sendo um fator de risco importante para quedas e fraturas, impactando significativamente a qualidade de vida e a morbimortalidade. O diagnóstico é clínico, baseado na medição da pressão arterial em decúbito e após 1 e 3 minutos em pé. A fisiopatologia envolve uma falha nos mecanismos compensatórios autonômicos que deveriam manter a pressão arterial durante a ortostase. Medicamentos, especialmente anti-hipertensivos, são uma causa iatrogênica frequente. É crucial suspeitar de hipotensão ortostática em qualquer idoso com queixas de tontura ou quedas. O tratamento inicial foca na identificação e correção das causas reversíveis, como o ajuste da terapia medicamentosa. Reduzir ou suspender diuréticos e vasodilatadores é frequentemente a primeira medida. Outras intervenções não farmacológicas incluem hidratação adequada, aumento da ingestão de sal (se não houver contraindicação), elevação da cabeceira da cama e uso de meias de compressão. A fludrocortisona é reservada para casos refratários após otimização das medidas iniciais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para hipotensão ortostática?

A hipotensão ortostática é diagnosticada por uma queda na pressão arterial sistólica de pelo menos 20 mmHg ou na diastólica de pelo menos 10 mmHg dentro de três minutos após a mudança da posição supina para a ortostática.

Quais medicamentos podem causar ou agravar a hipotensão ortostática?

Diuréticos (como hidroclorotiazida), inibidores da ECA (como enalapril), bloqueadores dos receptores da angiotensina, betabloqueadores, alfa-bloqueadores, nitratos, antidepressivos e alguns medicamentos para Parkinson podem contribuir para a hipotensão ortostática.

Qual a conduta inicial para um paciente com hipotensão ortostática induzida por medicamentos?

A conduta inicial envolve a revisão e, se possível, a redução ou suspensão dos medicamentos que podem estar contribuindo. Se a medicação for essencial, deve-se considerar a redução da dose ou a substituição por uma alternativa com menor risco de hipotensão.

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