INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Mulher de 86 anos é levada pela filha à consulta no ambulatório de clínica médica, com queixa de quedas frequentes. A paciente tem diagnóstico prévio de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, depressão, déficit cognitivo leve e constipação intestinal. Está em uso de losartana, hidroclorotiazida, atenolol, metformina, gliclazida, rosuvastatina, escitalopram, donepezila e lactulose. Segundo a filha da paciente, as quedas ocorrem em diversos horários do dia, mais frequentemente na madrugada, ao se levantar para ir ao banheiro. Ao exame físico, a idosa apresenta leve bradipsiquismo e sinais de sarcopenia; pressão arterial do membro superior direito de 138 x 92 mmHg, quando deitada, e 110 x 70 mmHg, quando sentada. O plano terapêutico apropriado ao contexto desse caso deve incluir
Idoso, polifarmácia, quedas + hipotensão ortostática → Revisar medicamentos indutores de hipotensão.
Em idosos com quedas e polifarmácia, a hipotensão ortostática é uma causa comum e reversível. A revisão da medicação, especialmente anti-hipertensivos como atenolol e hidroclorotiazida, é crucial para identificar e desprescrever fármacos desnecessários ou que contribuem para a hipotensão.
As quedas são um problema de saúde pública significativo em idosos, com alta morbidade e mortalidade. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores intrínsecos (sarcopenia, déficit cognitivo, comorbidades) e extrínsecos (ambiente, polifarmácia). A hipotensão ortostática é uma causa comum e muitas vezes negligenciada de quedas, especialmente as noturnas, quando o idoso se levanta rapidamente. O reconhecimento precoce e a intervenção são cruciais para prevenir lesões graves. A fisiopatologia da hipotensão ortostática em idosos envolve uma falha nos mecanismos compensatórios cardiovasculares (barorreflexo) e uma redução do volume intravascular, frequentemente exacerbada por medicamentos. A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos, é um fator de risco independente para quedas, pois aumenta a probabilidade de efeitos adversos e interações medicamentosas. Muitos fármacos, como diuréticos, betabloqueadores, antidepressivos e sedativos, podem induzir ou agravar a hipotensão ortostática. O plano terapêutico apropriado deve focar na revisão da polifarmácia e na desprescrição de medicamentos potencialmente inapropriados ou que contribuem para a hipotensão. É fundamental avaliar a relação risco-benefício de cada fármaco, priorizando a segurança do paciente. A monitorização da pressão arterial em diferentes posições é essencial para o diagnóstico. Outras medidas incluem hidratação adequada, exercícios para fortalecimento muscular e adaptações ambientais, mas a otimização da farmacoterapia é a intervenção mais impactante neste cenário.
Anti-hipertensivos (diuréticos, betabloqueadores, IECA/BRA), antidepressivos, antipsicóticos, sedativos e alguns medicamentos para diabetes podem contribuir para hipotensão ortostática, especialmente em pacientes polimedicados.
A polifarmácia aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos cumulativos (como tontura, sedação, hipotensão) e sobrecarga renal/hepática, que podem levar a quedas e outros desfechos adversos.
Os passos incluem identificar medicamentos potencialmente inapropriados (Critérios de Beers), avaliar a necessidade real de cada fármaco, considerar a desprescrição gradual e monitorar os efeitos da retirada, sempre em conjunto com o paciente e familiares.
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