MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 79 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica e osteoartrite de joelhos, é levado à consulta ambulatorial por sua esposa devido a um episódio de queda da própria altura ocorrido na última semana. O evento aconteceu durante a madrugada, quando o paciente se levantou rapidamente para ir ao banheiro e sentiu uma forte tontura seguida de escurecimento visual. Ele não apresenta déficits neurológicos focais. Atualmente, faz uso de enalapril 20 mg duas vezes ao dia e clortalidona 12,5 mg pela manhã. Há cerca de um mês, iniciou o uso de amitriptilina 25 mg ao deitar, prescrita para tratamento de insônia e dores articulares. Ao exame físico, o paciente apresenta pressão arterial de 135 x 85 mmHg em decúbito dorsal e, após três minutos em ortostase, a pressão arterial aferida é de 110 x 70 mmHg, acompanhada de leve tontura. O restante do exame físico e o eletrocardiograma não apresentam alterações agudas. Com base nas síndromes geriátricas e na segurança do paciente idoso, a conduta mais adequada é:
Queda + Hipotensão ortostática + Amitriptilina → Revisão da farmacoterapia e desmame de fármacos de risco.
A hipotensão ortostática no idoso é frequentemente multifatorial, exacerbada por medicamentos com efeitos anticolinérgicos e alfa-bloqueadores, exigindo revisão criteriosa da prescrição.
As quedas representam uma das principais 'Gigantes da Geriatria', com alta morbimortalidade. A fisiopatologia da hipotensão ortostática no idoso envolve a redução da sensibilidade dos barorreceptores e a diminuição da complacência ventricular, tornando o sistema cardiovascular mais dependente de ajustes rápidos que são prejudicados pelo envelhecimento e por fármacos. O manejo deve priorizar intervenções não farmacológicas e a desprescrição de agentes agressores. A amitriptilina, embora eficaz para dor, possui um perfil de efeitos colaterais que frequentemente supera seus benefícios na população geriátrica, contribuindo para o ciclo de iatrogenia se não for monitorada.
A hipotensão ortostática é definida pela queda da pressão arterial sistólica (PAS) em pelo menos 20 mmHg ou da pressão arterial diastólica (PAD) em pelo menos 10 mmHg, aferidas após 3 minutos em posição ortostática (em pé) em comparação com a medida em decúbito dorsal ou sentado. No paciente idoso, essa condição é um marcador de risco para quedas, síncope e eventos cardiovasculares, sendo essencial a aferição da PA em duas posições em todas as consultas geriátricas, especialmente naqueles com queixas de tontura ou instabilidade.
A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico com potentes efeitos anticolinérgicos e bloqueadores alfa-1 adrenérgicos. No idoso, esses efeitos aumentam significativamente o risco de sedação, confusão mental (delirium), retenção urinária, constipação e, crucialmente, hipotensão ortostática. Devido ao seu perfil de segurança desfavorável, ela é classificada como um Medicamento Potencialmente Inapropriado (MPI) pelos Critérios de Beers, devendo ser evitada em favor de alternativas mais seguras para o tratamento de insônia ou dor crônica.
A prevenção de quedas exige uma abordagem multifatorial: 1) Revisão da farmacoterapia para reduzir ou suspender psicotrópicos e ajustar anti-hipertensivos; 2) Fortalecimento muscular e treino de equilíbrio (fisioterapia); 3) Correção de déficits sensoriais (visão e audição); 4) Modificação do ambiente doméstico (retirar tapetes, melhorar iluminação); e 5) Manejo de condições médicas subjacentes como a hipotensão ortostática. A suplementação de Vitamina D pode ser considerada em pacientes com deficiência comprovada ou alto risco de fraturas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo