Hipotensão Ortostática no Idoso: Manejo e Erros Comuns

HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 68 anos se queixa de tontura ao se levantar. É portador de DM-2 e HAS, e faz uso de metformina, clortalidona e enalapril. Ao exame físico, PA/FC: (deitado) 190x96mmHg/62bpm; PA/FC: (em pé) 90x46mmHg/61bpm; PA/FC: (após 3 minutos de ortostatismo) 82x40mmHg/64bpm. Hemoglobina glicada 8,9%. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta INCORRETA para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Prescrever dapagliflozina.
  2. B) Orientar o aumento da ingestão de água e sal.
  3. C) Orientar dormir com a cabeceira elevada (30 a 45 graus).
  4. D) Substituir clortalidona e enalapril por captopril uma vez ao dia antes de dormir.

Pérola Clínica

Hipotensão ortostática em idoso polimedicado: Evitar SGLT2i (dapagliflozina) e otimizar anti-hipertensivos.

Resumo-Chave

O paciente apresenta hipotensão ortostática grave, provavelmente exacerbada por diurético (clortalidona) e IECA (enalapril). Prescrever dapagliflozina (inibidor SGLT2) seria uma conduta INCORRETA, pois esses medicamentos aumentam a diurese e podem piorar a hipotensão e o risco de quedas em idosos.

Contexto Educacional

A hipotensão ortostática é uma condição comum em idosos, especialmente aqueles com comorbidades como diabetes mellitus tipo 2 (DM-2) e hipertensão arterial sistêmica (HAS), e que fazem uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia). Ela se manifesta como tontura, pré-síncope ou síncope ao se levantar, devido a uma falha nos mecanismos compensatórios que mantêm a pressão arterial cerebral. O diagnóstico é confirmado pela queda significativa da PA ao mudar da posição deitada para em pé. No caso apresentado, o paciente já utiliza clortalidona (diurético) e enalapril (IECA), ambos medicamentos que podem contribuir para a hipotensão ortostática devido à depleção de volume e vasodilatação. A conduta INCORRETA seria prescrever dapagliflozina, um inibidor do SGLT2. Embora esses medicamentos sejam benéficos para DM-2 e insuficiência cardíaca, eles promovem glicosúria e natriurese, aumentando a diurese e o risco de desidratação e hipotensão, o que agravaria o quadro do paciente idoso com hipotensão ortostática. O manejo adequado envolve a revisão da medicação atual, com potencial ajuste ou suspensão de fármacos que contribuem para a hipotensão, além de medidas não farmacológicas como aumento da ingestão de líquidos e sal (se não houver contraindicação), elevação da cabeceira da cama e orientação para mudanças lentas de posição. A otimização do controle glicêmico e da HAS deve ser feita com cautela, priorizando medicamentos com menor impacto na pressão ortostática e monitoramento rigoroso.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para hipotensão ortostática?

A hipotensão ortostática é diagnosticada por uma queda da pressão arterial sistólica de pelo menos 20 mmHg ou da pressão arterial diastólica de pelo menos 10 mmHg dentro de 3 minutos após a mudança da posição de deitado para em pé.

Quais medicamentos comumente causam ou exacerbam a hipotensão ortostática em idosos?

Diuréticos, inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores da angiotensina, betabloqueadores, alfa-bloqueadores, antidepressivos tricíclicos e alguns medicamentos para Parkinson são causas comuns ou agravantes da hipotensão ortostática.

Quais são as medidas não farmacológicas para o manejo da hipotensão ortostática?

As medidas incluem aumentar a ingestão de líquidos e sal (se não houver contraindicação), elevar a cabeceira da cama, usar meias de compressão, evitar mudanças bruscas de posição e realizar exercícios isométricos antes de se levantar.

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