SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente de 45 anos de idade vem apresentando sintomas de palpitação, mal-estar e sudorese profusa no decorrer da hemodiálise. Em cada sessão, são ultrafiltrados 4 litros em duas horas e meia. Na última diálise, o paciente ficou com hipotensão = 85 mmHg x 40 mmHg, SatO2 = 94% em ar ambiente e frequência cardíaca conforme o eletrocardiograma a seguir.Fonte: 150 ECGs problems John HamptomCom base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Tratamento com sotalol é o padrão-ouro, no caso desse paciente, para tratamento em longo prazo.
Sotalol na DRC terminal = Alto risco de toxicidade e pró-arritmia. Não é droga de escolha.
O sotalol possui excreção predominantemente renal e não é removido de forma eficiente pela diálise convencional, o que aumenta drasticamente o risco de prolongamento do intervalo QT e Torsades de Pointes em pacientes renais crônicos.
Eventos cardiovasculares são a principal causa de óbito em pacientes em diálise. A hipotensão intradialítica é multifatorial, envolvendo a taxa de ultrafiltração, temperatura do dialisato e disfunção autonômica. O uso de antiarrítmicos nessa população exige cautela extrema. O sotalol, especificamente, é frequentemente evitado ou usado em doses mínimas (ex: 40-80mg após a diálise) sob monitorização rigorosa do QT. O padrão-ouro para controle de ritmo ou frequência em pacientes dialíticos geralmente envolve drogas com metabolismo hepático ou ajuste rigoroso, como carvedilol ou amiodarona, dependendo da arritmia específica.
O sotalol é um antiarrítmico da classe III com propriedades betabloqueadoras, cuja eliminação é quase totalmente renal. Em pacientes com ClCr < 10 ml/min, a meia-vida da droga é prolongada em até 10 vezes. Isso leva ao acúmulo plasmático, aumentando o risco de bradicardia severa e, principalmente, prolongamento do intervalo QT, predispondo a arritmias ventriculares fatais.
Taxas de ultrafiltração superiores a 10-13 ml/kg/h estão fortemente associadas a hipotensão intradialítica, atordoamento miocárdico e aumento da mortalidade cardiovascular. No caso descrito, retirar 4 litros em apenas 2,5 horas representa uma taxa agressiva que justifica a hipotensão e os sintomas adrenérgicos.
A conduta imediata inclui a interrupção ou redução da ultrafiltração, colocação do paciente em posição de Trendelenburg e administração de bólus de solução salina (100-200ml). A longo prazo, deve-se ajustar o peso seco, aumentar o tempo de sessão para reduzir a taxa de ultrafiltração horária e revisar medicações anti-hipertensivas.
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