Hipospádia em Crianças: Quando Indicar Cariótipo?

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um menino de 2 meses de idade é levado ao ambulatório pelos pais, que notaram alteração no posicionamento do meato uretral e dizem que a criança tem bom jato urinário. Na avaliação, percebe-se hipospádia coronal e testículos tópicos. A respeito do problema desta criança, é INCORRETO:

Alternativas

  1. A) A correção da hipospádia distal tem complicações em até 10% dos procedimentos. 
  2. B) É possível conseguir a correção adequada desta hipospádia com um único procedimento. 
  3. C) É mandatória a realização de cariótipo.
  4. D) A idade ideal para o reparo cirúrgico é entre 6 e 18 meses.
  5. E) Deve-se avaliar a presença de curvatura peniana no intraoperatório, corrigindo se necessário.

Pérola Clínica

Hipospádia distal/coronal com testículos tópicos → cariótipo NÃO é mandatório.

Resumo-Chave

A realização de cariótipo é indicada em casos de hipospádia proximal, testículos não palpáveis, ou outras anomalias que sugiram um distúrbio do desenvolvimento sexual. Para hipospádia distal ou coronal com testículos tópicos, o cariótipo não é uma conduta inicial obrigatória, pois a probabilidade de anomalias cromossômicas é baixa.

Contexto Educacional

A hipospádia é uma anomalia congênita comum do desenvolvimento peniano, caracterizada pela abertura do meato uretral em uma posição ventral e mais proximal que o normal. Sua prevalência varia, afetando cerca de 1 em cada 200-300 nascidos vivos do sexo masculino, sendo um tema relevante na pediatria e urologia pediátrica. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para a função urinária e sexual futuras, além do bem-estar psicossocial da criança. O diagnóstico é clínico, e a avaliação inicial deve incluir a localização do meato, a presença de curvatura peniana (chordee) e a palpação dos testículos. A fisiopatologia envolve uma falha na fusão dos pregas uretrais durante o desenvolvimento embrionário. A suspeita de anomalias cromossômicas ou distúrbios do desenvolvimento sexual (DDS) surge em casos de hipospádia proximal, testículos não palpáveis ou outras características atípicas, justificando a investigação com cariótipo e outros exames hormonais. O tratamento é cirúrgico, visando a correção do meato uretral para a ponta da glande, a retificação da curvatura peniana e a reconstrução de um pênis com aparência e função normais. A cirurgia é geralmente realizada entre 6 e 18 meses de idade. As complicações, como fístula uretrocutânea ou estenose, podem ocorrer, especialmente em casos mais complexos. O acompanhamento pós-operatório é fundamental para monitorar a cicatrização e a função urinária.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos de hipospádia?

A hipospádia é classificada de acordo com a localização do meato uretral, podendo ser distal (glandular, coronal, subcoronal), média (peniana) ou proximal (penoescrotal, escrotal, perineal). A gravidade aumenta com a proximidade do meato à base do pênis.

Quando o cariótipo é indicado em casos de hipospádia?

O cariótipo é indicado em hipospádias proximais, quando há testículos não palpáveis, ambiguidade genital, ou outras anomalias associadas que sugiram um distúrbio do desenvolvimento sexual. Não é mandatório para hipospádias distais ou coronais com testículos tópicos.

Qual a idade ideal para a correção cirúrgica da hipospádia?

A idade ideal para o reparo cirúrgico da hipospádia geralmente varia entre 6 e 18 meses de idade. Realizar a cirurgia nesse período minimiza o trauma psicológico e facilita o desenvolvimento da imagem corporal da criança.

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