Hipospadia: Definição, Tipos e Características Clínicas

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Hipospadia se caracteriza

Alternativas

  1. A) pela localização ectópica do meato uretral, abaixo do centro da glande.
  2. B) pela curvatura peniana ventral com um meato uretral ortotópico.
  3. C) por um prepúcio intacto.
  4. D) pelo alto risco de anomalias associadas, além do trato geniturinário.

Pérola Clínica

Hipospadia = meato uretral ectópico na face ventral do pênis, abaixo da posição normal.

Resumo-Chave

A hipospadia é uma anomalia congênita comum do desenvolvimento da uretra masculina, caracterizada pela localização anormal do meato uretral na face ventral do pênis, em vez de na ponta da glande. Essa condição pode variar em gravidade, desde formas distais leves até formas proximais mais complexas, e frequentemente está associada a outras características como a cordee (curvatura peniana ventral) e um prepúcio dorsal em capuz.

Contexto Educacional

A hipospadia é uma das anomalias congênitas mais comuns do trato genitourinário masculino, afetando aproximadamente 1 em cada 250-300 nascidos vivos. Caracteriza-se pela localização ectópica do meato uretral na face ventral do pênis, em qualquer ponto desde a glande até o períneo, em vez de sua posição normal na ponta da glande. Essa condição resulta de uma falha na fusão dos sulcos uretrais durante o desenvolvimento embrionário, geralmente entre a 8ª e a 12ª semana de gestação. A fisiopatologia da hipospadia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais (como deficiência de andrógenos ou insensibilidade a eles) e ambientais. Além do meato uretral ectópico, a hipospadia frequentemente se apresenta com outras características, como a cordee (uma curvatura ventral do pênis devido à fibrose do corpo esponjoso ou pele), e um prepúcio que não se fecha ventralmente, formando um 'capuz' dorsal. A gravidade da hipospadia é determinada pela posição do meato, sendo as formas proximais (penoscrotal, escrotal, perineal) consideradas mais complexas. O tratamento da hipospadia é cirúrgico e visa corrigir a posição do meato uretral, endireitar o pênis (correção da cordee) e, se possível, reconstruir um prepúcio esteticamente aceitável. A cirurgia é geralmente realizada entre 6 e 18 meses de idade para minimizar o trauma psicológico. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos pacientes alcançando função urinária e sexual normais. No entanto, complicações como fístulas uretrocutâneas ou estenoses podem ocorrer, exigindo reintervenções. É fundamental que o diagnóstico seja feito precocemente e que a circuncisão seja evitada em recém-nascidos com hipospadia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais tipos de hipospadia?

A hipospadia é classificada de acordo com a localização do meato uretral ectópico. Os tipos mais comuns são glandular (na glande, mas ventral), coronal (na coroa da glande), subcoronal, peniana (distal, média ou proximal no corpo do pênis) e penoscrotal ou perineal (nas formas mais graves, próximo ao escroto ou períneo).

A hipospadia está sempre associada a outras anomalias?

Embora a hipospadia possa ocorrer isoladamente, ela frequentemente está associada a outras anomalias, como a cordee (curvatura ventral do pênis), prepúcio em capuz (dorsal), e, em casos mais graves, a anomalias do trato genitourinário superior (como refluxo vesicoureteral ou anomalias renais) ou distúrbios do desenvolvimento sexual.

Qual a importância do prepúcio em pacientes com hipospadia?

Em pacientes com hipospadia, o prepúcio geralmente não se fecha ventralmente, resultando em um aspecto de 'capuz' dorsal. É crucial não realizar a circuncisão de rotina em recém-nascidos com hipospadia, pois o tecido prepucial pode ser utilizado na cirurgia corretiva para reconstrução da uretra.

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