Hiposmia em Idosos: Causas, COVID-19 e Distúrbios Nutricionais

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 72 anos, refere hiposmia de longa data. Há 48 horas, apresenta quadro de febre, tosse e diarreia. RT-PCR para COVID-19 positivo. É correto afirmar, sobre os distúrbios do olfato que:

Alternativas

  1. A) antes da pandemia de COVID-19, as infecções do trato respiratório superior não eram uma causa importante de perda do olfato
  2. B) as doenças neurodegenerativas, como doença de Parkinson, não interferem no sentido olfato
  3. C) a hiposmia é muito prevalente na população idosa, fato que pode estar associado aos distúrbios nutricionais encontrados nessa faixa etária
  4. D) a perda de olfato decorrente de traumatismo cranioencefálico só ocorrem quando há fraturas associadas de base de crânio

Pérola Clínica

Hiposmia é comum em idosos, associada a envelhecimento, comorbidades e deficiências nutricionais.

Resumo-Chave

A disfunção olfatória é uma condição multifatorial, com alta prevalência em idosos devido ao processo natural de envelhecimento, comorbidades e deficiências nutricionais. A COVID-19 é uma causa aguda importante, mas outras etiologias crônicas devem ser consideradas.

Contexto Educacional

A disfunção olfatória, que se manifesta como hiposmia (redução do olfato) ou anosmia (perda total), é um sintoma clinicamente relevante e com impacto significativo na qualidade de vida. Embora a pandemia de COVID-19 tenha trazido a perda de olfato para o centro das atenções devido à sua alta prevalência como sintoma da doença, é crucial reconhecer que a disfunção olfatória possui uma etiologia multifatorial e é particularmente comum na população idosa. O envelhecimento natural é uma das principais causas de hiposmia, um processo conhecido como presbiosmia, que se agrava com a idade. Além disso, comorbidades frequentemente encontradas em idosos, como doenças neurodegenerativas (Doença de Parkinson, Alzheimer), infecções crônicas do trato respiratório superior, exposição a toxinas e, notavelmente, deficiências nutricionais, contribuem para essa prevalência. A deficiência de zinco, por exemplo, é um fator conhecido que pode comprometer a função olfatória. É importante que os profissionais de saúde considerem todas essas possibilidades ao avaliar um paciente com disfunção olfatória, especialmente em idosos. Embora a COVID-19 seja uma causa atual e relevante, a investigação deve ser abrangente para identificar outras condições subjacentes que podem ser tratáveis ou que requerem manejo específico, garantindo assim uma abordagem holística e eficaz para o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hiposmia em idosos?

Em idosos, a hiposmia é frequentemente multifatorial, incluindo o processo natural de envelhecimento (presbiosmia), doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer, infecções virais (incluindo COVID-19), traumatismos cranioencefálicos e deficiências nutricionais, como a de zinco.

Como a COVID-19 afeta o olfato?

A COVID-19 pode causar anosmia ou hiposmia aguda devido à infecção das células de suporte do epitélio olfatório, que expressam a enzima ACE2, essencial para a entrada do vírus. A perda de olfato pode ser um sintoma precoce e, em alguns casos, persistente.

Qual a relação entre distúrbios nutricionais e disfunção olfatória?

Deficiências de micronutrientes, como o zinco, são conhecidas por afetar a função olfatória. O zinco é um cofator para várias enzimas envolvidas na percepção do paladar e olfato, e sua deficiência pode levar à hiposmia ou anosmia.

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