FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Homem de 32 anos procura emergência por cãibras e mialgia intensa iniciadas após diarreia, com diversos episódios de evacuações líquidas nos últimos dois dias, associados a febre e vômitos. Ao exame físico, apresentava-se desidratado, taquicárdico, normotenso, apresentando dor à palpação muscular difusamente. Eletrocardiograma evidenciou presença de ondas U de V4 a V6. Qual distúrbio hidroeletrolítico está associado ao quadro e qual o motivo da dor?
Diarreia + cãibras + ondas U no ECG → Hipopotassemia grave com risco de rabdomiólise.
A diarreia profusa leva à perda de potássio, causando hipopotassemia. Esta, por sua vez, pode precipitar cãibras, mialgia intensa e, em casos graves, rabdomiólise devido à disfunção muscular. As ondas U no ECG são um sinal clássico de hipopotassemia.
A hipopotassemia é um distúrbio hidroeletrolítico comum, frequentemente resultante de perdas gastrointestinais (como diarreia ou vômitos) ou renais. O potássio é vital para a função neuromuscular e cardíaca, e sua deficiência pode levar a uma série de sintomas, desde fraqueza muscular e cãibras até arritmias cardíacas potencialmente fatais. A identificação precoce é crucial para prevenir complicações graves. No eletrocardiograma, a hipopotassemia pode se manifestar por achatamento da onda T, depressão do segmento ST e, de forma característica, o surgimento de ondas U proeminentes, especialmente em V4-V6. A mialgia intensa e as cãibras, como descrito no caso, são sintomas musculares que, quando associados à hipopotassemia grave, devem levantar a suspeita de rabdomiólise, uma condição onde há lesão e necrose das fibras musculares. O tratamento da hipopotassemia envolve a reposição de potássio, que pode ser oral ou intravenosa, dependendo da gravidade e da presença de sintomas. É fundamental corrigir a causa subjacente e monitorar o paciente para complicações cardíacas e renais (devido à rabdomiólise). A compreensão desses distúrbios é essencial para o residente, pois são frequentemente encontrados na prática clínica e podem ter desfechos graves se não manejados adequadamente.
A hipopotassemia pode causar alterações no ECG como achatamento da onda T, depressão do segmento ST e, classicamente, o aparecimento de ondas U proeminentes, especialmente nas derivações precordiais V4-V6.
A hipopotassemia grave afeta a função muscular, levando à fraqueza e à necrose das células musculares esqueléticas. Isso pode ser exacerbado por esforço físico ou outras condições, resultando na liberação de componentes intracelulares, como a creatinoquinase (CK), na corrente sanguínea.
A conduta inicial envolve a reposição de potássio, preferencialmente por via intravenosa em casos graves, monitoramento cardíaco contínuo e avaliação da função renal. É crucial investigar e tratar a causa subjacente da hipopotassemia, como a diarreia.
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