FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Mulher de 36 anos, com diagnóstico de hipoparatireoidismo após cirurgia de tireoidectomia, vai ao pronto-socorro por parestesia perioral e de extremidades há alguns dias. Está em uso de carbonato de cálcio 3000 mg/dia e colecalciferol 50000 unidades por semana, prescritos pelo médico da UBS após notar que o ”cálcio estava baixo” há 2 meses. Ao exame físico, notaram sinais de Chvostek e Trousseau positivos. Eletrocardiograma apresentou aumento do intervalo QT. Confirmada sua hipótese diagnóstica, a conduta adequada é:
Hipoparatireoidismo pós-tireoidectomia + parestesia, Chvostek/Trousseau +, QT ↑ → Hipocalcemia aguda = Gluconato de cálcio IV + Calcitriol (vit D ativa).
Paciente com hipoparatireoidismo pós-tireoidectomia apresentando parestesias, sinais de Chvostek e Trousseau positivos e prolongamento do intervalo QT no ECG tem hipocalcemia aguda sintomática. O tratamento imediato é com gluconato de cálcio endovenoso para elevar rapidamente o cálcio sérico e, para o manejo crônico e prevenção de recorrências, a substituição do colecalciferol (vitamina D inativa) por calcitriol (vitamina D ativa) é fundamental.
O hipoparatireoidismo pós-tireoidectomia é uma complicação comum da cirurgia de tireoide, resultante da lesão ou remoção inadvertida das glândulas paratireoides. A deficiência de paratormônio (PTH) leva à hipocalcemia, que pode se manifestar de forma aguda com sintomas neurológicos e cardiovasculares. A hipocalcemia aguda sintomática é uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos para evitar morbidade e mortalidade significativas. Os sintomas clássicos da hipocalcemia incluem parestesias periorais e de extremidades, espasmos musculares, cãibras e, em casos mais graves, tetania, laringoespasmo e convulsões. Os sinais de Chvostek (contração dos músculos faciais ao tocar o nervo facial) e Trousseau (espasmo carpopedal após insuflar o manguito de pressão arterial) são indicativos de hiperexcitabilidade neuromuscular. O eletrocardiograma pode revelar prolongamento do intervalo QT, aumentando o risco de arritmias. A conduta imediata para a hipocalcemia aguda sintomática é a administração de gluconato de cálcio endovenoso para restaurar rapidamente os níveis séricos de cálcio. Para o manejo a longo prazo do hipoparatireoidismo, é crucial a suplementação com cálcio oral e, fundamentalmente, com a forma ativa da vitamina D, o calcitriol (1,25-diidroxicolecalciferol). O colecalciferol (vitamina D3) é ineficaz nesses pacientes, pois a ausência de PTH impede sua hidroxilação renal para a forma ativa. A troca do colecalciferol pelo calcitriol é, portanto, uma medida terapêutica essencial para o controle da hipocalcemia crônica.
Os sinais e sintomas incluem parestesias (perioral e extremidades), espasmos musculares, tetania, convulsões, laringoespasmo e sinais de Chvostek e Trousseau positivos.
O gluconato de cálcio endovenoso é a forma mais rápida e eficaz de elevar os níveis séricos de cálcio em situações de hipocalcemia aguda sintomática, prevenindo complicações como arritmias cardíacas e tetania.
O colecalciferol (vitamina D3) é uma forma inativa que precisa ser hidroxilada nos rins para se tornar ativa. No hipoparatireoidismo, a ausência de PTH prejudica essa ativação. O calcitriol (1,25-diidroxicolecalciferol) é a forma ativa da vitamina D e, portanto, é a escolha ideal para pacientes com deficiência de PTH.
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