Hiponatremia Sintomática Grave: Manejo com Salina Hipertônica

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 58 anos é admitida no pronto-socorro com letargia e vômitos persistentes nas últimas 48 horas. Os exames laboratoriais revelam: Sódio sérico: 115 mmol/L, osmolalidade plasmática: 260 mOsm/kg, osmolalidade urinária: 600 mOsm/kg, sódio urinário: 40 mmol/L Ao exame físico, a paciente apresenta-se confusa, com pressão arterial de 120/70 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm e sem sinais de edema periférico. Não há evidências de diuréticos recentes ou outras medicações. Qual é o próximo passo mais adequado no manejo inicial?

Alternativas

  1. A) Administrar bolus de 150 mL de solução salina hipertônica a 3% e reavaliar a cada 2 horas.
  2. B) Instituir restrição hídrica rigorosa para limitar a ingestão de líquidos a menos de 500 mL por dia, associada a diurético de alça.
  3. C) Administrar antagonista da vasopressina (vaptano) para corrigir a hiponatremia.
  4. D) Infundir 500 ml de solução salina isotônica em 1 hora para correção rápida do sódio.

Pérola Clínica

Hiponatremia sintomática grave (Na < 120) → Salina hipertônica 3% bolus (100-150mL) com reavaliação rápida.

Resumo-Chave

A hiponatremia sintomática grave, especialmente com sódio sérico abaixo de 120 mmol/L e sintomas neurológicos, exige correção rápida com solução salina hipertônica a 3%. O objetivo é aumentar o sódio sérico em 4-6 mmol/L nas primeiras horas para aliviar os sintomas, evitando a correção excessivamente rápida que pode levar à síndrome de desmielinização osmótica.

Contexto Educacional

A hiponatremia é um distúrbio eletrolítico comum, especialmente em pacientes idosos, e pode variar de assintomática a grave, com risco de vida. A hiponatremia sintomática grave, caracterizada por sódio sérico < 120-125 mmol/L e sintomas neurológicos como letargia, confusão, convulsões ou coma, exige intervenção imediata. A avaliação da osmolalidade plasmática e urinária, bem como do sódio urinário, é crucial para determinar a etiologia e guiar o tratamento. No caso apresentado, a paciente com sódio sérico de 115 mmol/L, osmolalidade plasmática de 260 mOsm/kg (baixa), osmolalidade urinária de 600 mOsm/kg (alta) e sódio urinário de 40 mmol/L (alta), sem uso de diuréticos e com euvolemia clínica (PA normal, sem edema), sugere fortemente a Síndrome de Secreção Inadequada de ADH (SIADH). A letargia e os vômitos persistentes são sintomas neurológicos da hiponatremia grave. O manejo inicial da hiponatremia sintomática grave é a administração de solução salina hipertônica a 3%. O objetivo é um aumento rápido do sódio sérico em 4-6 mmol/L nas primeiras 1-2 horas para aliviar os sintomas, seguido por uma correção mais lenta. Um bolus de 100-150 mL de salina hipertônica a 3% é a conduta mais adequada, com reavaliação frequente do sódio sérico. A restrição hídrica, embora fundamental no tratamento da SIADH, não é a primeira medida em casos sintomáticos graves, pois não corrige o sódio rapidamente o suficiente para prevenir danos neurológicos. Antagonistas da vasopressina (vaptanos) são usados em hiponatremia euvolêmica ou hipervolêmica crônica, mas não são a primeira linha para hiponatremia sintomática aguda grave.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de hiponatremia sintomática grave e qual a conduta inicial?

Hiponatremia sintomática grave é definida por sódio sérico < 120-125 mmol/L associado a sintomas neurológicos como confusão, letargia, convulsões ou coma. A conduta inicial é a administração de um bolus de 100-150 mL de solução salina hipertônica a 3% em 10-20 minutos, com reavaliação a cada 2 horas.

Qual o objetivo da correção inicial da hiponatremia grave e qual o risco de correção excessivamente rápida?

O objetivo é aumentar o sódio sérico em 4-6 mmol/L nas primeiras 1-2 horas para aliviar os sintomas neurológicos. A correção excessivamente rápida (mais de 8-10 mmol/L em 24h ou 18 mmol/L em 48h) pode levar à síndrome de desmielinização osmótica, uma complicação neurológica grave e irreversível.

Como os exames laboratoriais (osmolalidade e sódio urinário) auxiliam no diagnóstico da causa da hiponatremia?

A osmolalidade plasmática baixa (<275 mOsm/kg) confirma hiponatremia verdadeira. A osmolalidade urinária elevada (>100 mOsm/kg) e sódio urinário > 20-40 mmol/L, na ausência de diuréticos, sugerem SIADH (Síndrome de Secreção Inadequada de ADH), que é uma hiponatremia euvolêmica.

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