SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
Paciente, sexo feminino, 65 anos de idade, no 2º dia de pós-operatório de hernioplastia inguinal direita, evolui na enfermaria com cefaleia, sonolência, náuseas e vômitos. O procedimento foi realizado sem intercorrências; a paciente vem em uso de venóclise com SF0,9% 1000mL de 8/8h, dieta oral branda e medicações sintomáticas. Ao exame físico, bom estado geral, corada, sonolenta, Temperatura axilar: 36ºC, FC: 60bpm, PA: 120x72mmHg, FR: 16imp; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome plano, flácido e indolor à palpação; ferida operatória em região inguinal direita em bom aspecto e sem sinais flogísticos.Diante do quadro, indique a primeira conduta terapêutica que deve ser instituída.
Cefaleia, sonolência, náuseas pós-op + SF0,9% = suspeitar hiponatremia dilucional.
Pacientes pós-operatórios, especialmente idosos e em uso de soluções hipotônicas ou isotônicas em excesso (como SF 0,9% que é hipotônico em relação ao plasma se houver SIADH), podem desenvolver hiponatremia dilucional. Os sintomas neurológicos (cefaleia, sonolência, náuseas, vômitos) são indicativos de edema cerebral e requerem correção imediata.
A hiponatremia pós-operatória é uma complicação eletrolítica comum e potencialmente grave, especialmente em pacientes idosos e naqueles submetidos a cirurgias. Ela é frequentemente dilucional, resultante da combinação de secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH) induzida pelo estresse cirúrgico, dor, náuseas e certos medicamentos, com a administração de fluidos intravenosos hipotônicos ou mesmo isotônicos em grandes volumes. Os sintomas da hiponatremia variam de inespecíficos a graves, dependendo da velocidade de instalação e do grau da hiponatremia. Sintomas como cefaleia, náuseas, vômitos, sonolência e confusão mental são indicativos de edema cerebral e devem alertar o médico para a urgência do quadro. Em casos mais severos, podem ocorrer convulsões, coma e herniação cerebral. A conduta inicial envolve a suspeita clínica, a confirmação laboratorial da hiponatremia e a avaliação da gravidade dos sintomas. Em pacientes sintomáticos, a correção deve ser iniciada prontamente com solução salina hipertônica (NaCl 3%), com monitoramento rigoroso do sódio sérico para evitar a síndrome de desmielinização osmótica, uma complicação grave da correção rápida demais.
Fatores de risco incluem idade avançada, uso de diuréticos, insuficiência cardíaca ou renal, cirurgias de grande porte, e a administração excessiva de fluidos hipotônicos ou mesmo isotônicos em pacientes com secreção inapropriada de ADH (SIADH) induzida pelo estresse cirúrgico.
A hiponatremia leva a uma diminuição da osmolalidade plasmática. Para equilibrar, a água se move do plasma para o interior das células, incluindo as células cerebrais, causando edema cerebral e os sintomas neurológicos como cefaleia, náuseas, vômitos, sonolência e, em casos graves, convulsões e coma.
A primeira conduta é confirmar a hiponatremia com dosagem sérica de sódio. Se houver sintomas neurológicos graves, a correção deve ser rápida, mas controlada, com solução salina hipertônica (NaCl 3%) para elevar o sódio sérico e reduzir o edema cerebral, evitando a correção excessivamente rápida.
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