Hiponatremia Pós-Operatória: Fisiopatologia e Manejo

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Homem de 52 anos, 66kg, com adenocarcinoma de cólon esquerdo e sem comorbidades, estava com operação programada para as 7:30h, tendo ficado em jejum desde as 18 horas do dia anterior à cirurgia. Não houve intercorrências per-operatórias. No pós-operatório imediato, apresentou glicemia capilar de 180mg%, volume urinário de 450mL em 24 horas, sódio plasmático de 132mEq/L e potássio de 5,8mEq/L. Assinale a alternativa com a correlação MAIS ADEQUADA entre a alteração pós-operatória observada e sua respectiva justificativa.

Alternativas

  1. A) Hipercalemia - aumento da produção de glucagon
  2. B) Hiperglicemia - jejum prolongado
  3. C) Hiponatremia - aumento da produção de vasopressina
  4. D) Oligúria - diminuição da liberação de aldosterona

Pérola Clínica

Estresse cirúrgico → ↑ ADH → retenção água livre → hiponatremia dilucional.

Resumo-Chave

O estresse cirúrgico e o jejum prolongado ativam a resposta neuroendócrina, incluindo o aumento da secreção de vasopressina (ADH). O ADH promove a reabsorção de água livre nos túbulos renais, levando a uma hiponatremia dilucional, mesmo com sódio corporal total normal ou ligeiramente elevado. A hiperglicemia e hipercalemia também são comuns no PO devido ao catabolismo e alterações hormonais.

Contexto Educacional

O período pós-operatório é marcado por profundas alterações fisiológicas e metabólicas, resultantes da resposta ao estresse cirúrgico, jejum e manipulação tecidual. O entendimento dessas alterações é crucial para o manejo adequado dos pacientes e a prevenção de complicações. Desequilíbrios hidroeletrolíticos são comuns e podem ter consequências graves se não forem prontamente identificados e corrigidos. A hiponatremia pós-operatória é frequentemente dilucional, causada pelo aumento da secreção de vasopressina (ADH) em resposta a estímulos como dor, náuseas, estresse e uso de opioides. O ADH promove a reabsorção de água livre nos túbulos renais, levando à diluição do sódio plasmático. Outras alterações incluem hiperglicemia, devido ao aumento dos hormônios contrarreguladores (cortisol, glucagon, catecolaminas) e resistência à insulina, e hipercalemia, resultante do catabolismo celular e da acidose metabólica. O manejo desses desequilíbrios exige uma avaliação cuidadosa do estado volêmico do paciente, monitoramento rigoroso dos eletrólitos e ajuste da terapia de fluidos. A restrição de água livre é frequentemente a medida mais importante para a hiponatremia dilucional, enquanto a hipercalemia pode exigir medidas para deslocar o potássio para o intracelular ou aumentar sua excreção. O objetivo é restaurar o equilíbrio hidroeletrolítico de forma gradual e segura, minimizando os riscos de complicações.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa da hiponatremia no pós-operatório?

A principal causa da hiponatremia no pós-operatório é a diluição, devido ao aumento da secreção de vasopressina (ADH) em resposta ao estresse cirúrgico, dor, náuseas e uso de opioides. O ADH promove a retenção de água livre, diluindo o sódio plasmático.

Por que ocorre hiperglicemia após jejum prolongado e cirurgia?

A hiperglicemia pós-operatória, mesmo após jejum prolongado, é resultado da resposta ao estresse cirúrgico, que eleva os níveis de hormônios contrarreguladores como cortisol, glucagon e catecolaminas. Estes hormônios promovem a gliconeogênese e glicogenólise, além de induzir resistência à insulina.

Como o estresse cirúrgico afeta o potássio plasmático?

O estresse cirúrgico pode causar hipercalemia devido ao catabolismo celular (liberação de potássio intracelular), acidose metabólica (deslocamento de potássio para o extracelular) e diminuição da excreção renal de potássio, especialmente em pacientes com função renal comprometida ou uso de certos medicamentos.

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