Hiponatremia Hipovolêmica: Diagnóstico e Manejo

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 63 anos de idade chega à emergência do Hospital Nova Esperança com história de diarreia há 4 dias de duração. Ao exame físico ela apresenta taquicardia leve, mucosas secas. No laboratório, o nível de sódio é de 132 mEq/L (135-145), e a concentração de sódio urinário está indetectavelmente baixa. Qual a conduta na correção da hiponatremia dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Prescrever furosemida para promover perda de água livre.
  2. B) Prescrever hidroclorotiazida para promover perda de água livre.
  3. C) Prescrever hidratação venosa para reduzir os níveis séricos de hormônio antidiurético (ADH) e possibilitar uma diurese aquosa livre.
  4. D) Prescrever terapia com tolvaptana com antagonista do ADH.
  5. E) Oferecer uma quantidade extra de sódio para corrigir a deficiência corporal total de sódio.

Pérola Clínica

Hiponatremia hipovolêmica (diarreia, desidratação, Na urinário baixo) → Repor volume com SF 0,9% para inibir ADH.

Resumo-Chave

A paciente apresenta hiponatremia hipovolêmica devido à diarreia e desidratação, evidenciada por taquicardia, mucosas secas e sódio urinário baixo. A hipovolemia estimula a liberação de ADH, que retém água e dilui o sódio. A conduta correta é a reposição de volume com solução isotônica (soro fisiológico 0,9%) para corrigir a hipovolemia e, consequentemente, inibir o ADH, permitindo a excreção de água livre.

Contexto Educacional

A hiponatremia é um distúrbio eletrolítico comum, definido como sódio sérico abaixo de 135 mEq/L. A hiponatremia hipovolêmica ocorre quando há uma perda de sódio e água corporal total, com a perda de água sendo relativamente menor ou a reposição sendo feita com líquidos hipotônicos. É frequentemente vista em pacientes com perdas gastrointestinais (diarreia, vômitos), perdas renais (diuréticos tiazídicos, doença renal perdedora de sal) ou perdas cutâneas (queimaduras, sudorese excessiva). O diagnóstico da hiponatremia hipovolêmica é baseado na história clínica (perdas de fluidos), exame físico (sinais de desidratação como taquicardia, mucosas secas, hipotensão postural) e exames laboratoriais. A característica distintiva é o sódio urinário baixo (geralmente < 20 mEq/L), que indica que o rim está tentando conservar sódio em resposta à hipovolemia. A osmolaridade urinária geralmente está elevada, refletindo a tentativa de reter água. A conduta terapêutica primária para a hiponatremia hipovolêmica é a reposição de volume com solução isotônica, como soro fisiológico 0,9%. A infusão de volume corrige a hipovolemia, o que, por sua vez, suprime a liberação de hormônio antidiurético (ADH) estimulada pela hipovolemia. A inibição do ADH permite que o rim excrete água livre, resultando no aumento da concentração sérica de sódio. É crucial monitorar a taxa de correção do sódio para evitar a síndrome de desmielinização osmótica, uma complicação grave da correção rápida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos e laboratoriais da hiponatremia hipovolêmica?

Os sinais clínicos incluem taquicardia, hipotensão postural, mucosas secas, diminuição da turgor da pele e oligúria. Laboratorialmente, há hiponatremia sérica e sódio urinário baixo (<20 mEq/L), indicando tentativa renal de reter sódio.

Por que o sódio urinário é baixo na hiponatremia hipovolêmica?

O sódio urinário é baixo porque, em resposta à hipovolemia, o rim ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona e aumenta a reabsorção de sódio e água nos túbulos renais para tentar restaurar o volume intravascular.

Qual a conduta inicial para corrigir a hiponatremia hipovolêmica?

A conduta inicial é a reposição de volume com solução isotônica, como soro fisiológico 0,9%. Isso corrige a hipovolemia, inibe a liberação de ADH e permite que o rim excrete o excesso de água livre, elevando o sódio sérico.

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