Hiponatremia Hipervolêmica: Causas e Diagnóstico Diferencial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Sobre distúrbios eletrolíticos, assinale a correta:

Alternativas

  1. A) A hiponatremia hipervolêmica é típica de insuficiência cardíaca, cirrose e síndrome nefrótica.
  2. B) A hipercalemia nunca causa alterações no eletrocardiograma antes de níveis maiores que 8,0 mEq/L.
  3. C) A hipocalcemia cursa com alargamento de QRS e ondas T apiculadas.
  4. D) A hipernatremia sempre decorre de perda renal de água.

Pérola Clínica

Hiponatremia hipervolêmica = ↑ Água corporal total > ↑ Sódio total (IC, Cirrose, Nefrose).

Resumo-Chave

Na hiponatremia hipervolêmica, há excesso de água e sódio, mas o ganho de água é proporcionalmente maior devido à ativação do sistema RAA e ADH.

Contexto Educacional

Os distúrbios eletrolíticos são temas recorrentes em provas e na prática de terapia intensiva e clínica médica. A hiponatremia é classificada pelo status volêmico: hipovolêmica (perdas), euvolêmica (SIADH) e hipervolêmica (estados edematosos). Na hipervolêmica, o tratamento foca na restrição hídrica e diuréticos, não na reposição de sódio. A hipernatremia, por outro lado, reflete quase sempre um déficit de água livre em relação ao sódio corporal, seja por perda de água (diabetes insipidus, perdas insensíveis) ou ganho excessivo de sal. O manejo exige cautela na velocidade de correção para evitar o edema cerebral.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre hiponatremia na insuficiência cardíaca?

Na insuficiência cardíaca, a redução do débito cardíaco é percebida pelo organismo como uma queda no volume circulante efetivo. Isso ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona e estimula a liberação de ADH (vasopressina). O ADH promove a reabsorção de água livre nos túbulos coletores, o que dilui o sódio plasmático, resultando em hiponatremia, apesar de o paciente estar com sobrecarga hídrica (edema).

Quais são as alterações clássicas da hipercalemia no ECG?

A hipercalemia é uma emergência médica que altera a repolarização e condução cardíaca. As fases iniciais (K+ > 5.5) mostram ondas T apiculadas e simétricas (em tenda). Com a progressão (K+ > 6.5), ocorre achatamento da onda P e prolongamento do intervalo PR. Em níveis críticos, o QRS se alarga, podendo evoluir para um padrão sinusoidal e parada cardíaca em fibrilação ventricular ou assistolia.

Qual a diferença entre hipocalcemia e hipercalemia no ECG?

A hipocalcemia caracteriza-se principalmente pelo prolongamento do intervalo QT, devido ao aumento da duração da fase 2 do potencial de ação miocárdico. Já a hipercalemia foca na onda T (apiculada) e no complexo QRS (alargamento). É fundamental não confundir, pois o tratamento da hipercalemia grave envolve justamente a administração de gluconato de cálcio para estabilizar a membrana miocárdica.

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