INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem de 75 anos, tabagista inveterado, com diagnóstico recente de câncer de pulmão de pequenas células, é levado a uma unidade de emergência com quadro de rebaixamento do nível de consciência. Segundo familiares, nos últimos dias, ele vinha se queixando de cefaleia holocraniana e de turvação visual bilateral. Na véspera do atendimento, os familiares relatam que o paciente ficou sonolento e que, no dia do atendimento, evoluiu com crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas. Ao exame físico, mostra-se torporoso, mas sem déficits neurológicos focais, mantendo hemodinâmica (pressão arterial elevada, em 170 × 100 mmHg); padrão respiratório regular (frequência respiratória de 18 incursões respiratórias por minuto) e frequência cardíaca de 58 batimentos por minuto. Os exames complementares revelam anemia normocrômica, normocítica, (hemoglobina de 9,2 g/dL); sódio sérico baixo (108 mEq/L); ácido úrico sérico baixo (2,1 mg/dL); hiperglicemia leve (138 mg/dL) e taxa de excreção renal de sódio superior a 25 mEq/dia. À tomografia computadorizada de crânio, identifica-se aspecto compatível com edema cerebral difuso.Nesse caso, a conduta adequada é proceder com a
Hiponatremia grave sintomática (Na < 120 com sintomas neurológicos) → Salina 3% IV para correção rápida e segura.
A hiponatremia grave e sintomática, especialmente com sintomas neurológicos como convulsões e rebaixamento do nível de consciência, é uma emergência médica. A correção inicial deve ser feita com solução salina hipertônica a 3% para elevar o sódio sérico de forma rápida e controlada, visando aliviar o edema cerebral e prevenir complicações como a síndrome de desmielinização osmótica.
A hiponatremia é um distúrbio eletrolítico comum, mas quando grave e sintomática, representa uma emergência médica que exige intervenção imediata para prevenir danos neurológicos permanentes ou morte. A compreensão da fisiopatologia e do manejo adequado é crucial para qualquer profissional de saúde, especialmente em contextos de emergência. Neste caso, a associação com câncer de pulmão de pequenas células aponta para a Síndrome de Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH), uma causa frequente de hiponatremia euvolêmica. A secreção ectópica de ADH leva à retenção de água livre, resultando em hiponatremia dilucional. Os sintomas neurológicos são decorrentes do edema cerebral causado pelo movimento de água para dentro das células cerebrais. O tratamento da hiponatremia grave sintomática envolve a administração cuidadosa de solução salina hipertônica a 3% para elevar o sódio sérico e reduzir o edema cerebral. É imperativo monitorar de perto a taxa de correção para evitar a síndrome de desmielinização osmótica, uma complicação grave da correção excessivamente rápida. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente esses casos e iniciar o tratamento correto.
Os sinais e sintomas incluem cefaleia, náuseas, vômitos, letargia, confusão, convulsões e, em casos graves, coma e herniação cerebral. A presença de rebaixamento do nível de consciência e convulsões indica uma emergência neurológica devido ao edema cerebral.
O câncer de pulmão de pequenas células é a causa mais comum da Síndrome de Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH). As células tumorais ectopicamente produzem e secretam ADH, levando à retenção de água livre, diluição do sódio sérico e hiponatremia euvolêmica.
A taxa de correção inicial para hiponatremia grave sintomática com salina a 3% visa elevar o sódio em 4-6 mEq/L nas primeiras 1-2 horas para aliviar os sintomas agudos. A elevação total não deve exceder 8-10 mEq/L nas primeiras 24 horas e 18 mEq/L nas primeiras 48 horas para evitar a síndrome de desmielinização osmótica.
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