Hiponatremia Grave com Convulsões: Conduta Imediata

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 58 anos, é trazida ao pronto-socorro devido a episódios de crises convulsivas há 20 minutos. Familiares negam história de crise convulsiva prévia e referem que paciente apresentava queixa de diarreia há 1 semana. Negam antecedentes patológicos e uso de medica- mentos. Ao exame físico, apresentava peso de 60 kg, PA = 128 x 72 mmHg, FC = 110 bpm e sinais de desidratação com mucosas secas. Gasometria da  entrada mostrava: sódio = 118 mEq/L . A conduta imediata para essa paciente é a infusão intravenosa de

Alternativas

  1. A) 50 mL de solução hipertônica a 3% em bólus.
  2. B) 100 mL de solução fisiológica a 0,9% em bólus.
  3. C) 500 mL de solução fisiológica a 0,9% em 3 horas.
  4. D) 1 000 mL de solução hipertônica a 3% em bólus.
  5. E) 2 000 mL de solução fisiológica a 0,9% em 3 horas.

Pérola Clínica

Hiponatremia grave (Na < 120 mEq/L) com sintomas neurológicos (convulsões) → infusão de salina hipertônica 3% em bólus.

Resumo-Chave

Pacientes com hiponatremia grave (Na < 120 mEq/L) e sintomas neurológicos agudos, como convulsões, requerem correção imediata com solução salina hipertônica a 3% em bólus para prevenir edema cerebral e reduzir o risco de sequelas neurológicas. A correção deve ser cuidadosa para evitar mielinólise pontina.

Contexto Educacional

A hiponatremia é um distúrbio eletrolítico comum, definido como sódio sérico < 135 mEq/L. A hiponatremia grave, especialmente quando associada a sintomas neurológicos agudos como convulsões, é uma emergência médica que exige intervenção imediata. A epidemiologia mostra que a hiponatremia é mais frequente em idosos e pacientes com comorbidades. A importância clínica reside no risco de edema cerebral, que pode levar a herniação cerebral e morte se não tratada prontamente. A fisiopatologia da hiponatremia sintomática envolve o movimento de água para dentro das células cerebrais devido ao gradiente osmótico, causando edema. No caso, a diarreia prolongada pode ter contribuído para a depleção de volume e, dependendo da ingestão de líquidos hipotônicos, para a hiponatremia. O diagnóstico é laboratorial, com sódio sérico < 118 mEq/L, e a suspeita deve surgir em pacientes com sintomas neurológicos inespecíficos ou convulsões, especialmente com histórico de distúrbios gastrointestinais. O tratamento da hiponatremia grave com convulsões é a infusão intravenosa de solução salina hipertônica a 3% em bólus (geralmente 50-100 mL) para aumentar rapidamente o sódio sérico em 4-6 mEq/L nas primeiras horas e aliviar os sintomas. Após a melhora dos sintomas, a correção deve ser mais lenta e monitorada de perto para evitar a mielinólise pontina osmótica, uma complicação grave da correção excessivamente rápida, que pode ocorrer se o sódio aumentar mais de 8-10 mEq/L em 24 horas.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo da infusão de solução salina hipertônica a 3% em bólus na hiponatremia sintomática?

O objetivo é aumentar rapidamente o sódio sérico em 4-6 mEq/L nas primeiras horas para aliviar o edema cerebral e os sintomas neurológicos graves, como as convulsões.

Qual o risco associado à correção muito rápida da hiponatremia?

A correção muito rápida da hiponatremia, especialmente crônica, pode levar à síndrome de desmielinização osmótica (mielinólise pontina), uma condição neurológica grave e irreversível.

Quais são os limites de correção de sódio nas primeiras 24 e 48 horas?

Recomenda-se um aumento máximo de 8-10 mEq/L nas primeiras 24 horas e não mais que 18 mEq/L nas primeiras 48 horas para evitar a mielinólise pontina.

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