UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Homem, 50a, é trazido a serviço médico com história de cefaleia há uma semana e confusão mental há dois dias. Nega vômitos ou diarreia. Exame físico: PA= 128x84 mmHg, FC= 56 bpm; neurológico: confuso, sonolento. Ureia= 20 mg/dl_; creatinina= 0,8 mg/dL; sódio= 115 mEq/L; potássio= 3,6 mEq/L; Hb= 11 g/dL. Exame sumário de urina: sem alterações. Radiograma de tórax: A CAUSA MAIS PROVÁVEL DA HIPONATREMIA É:
Hiponatremia (Na 115) + euvolemia + função renal normal + sintomas neurológicos → SIADH.
O paciente apresenta hiponatremia grave (Na 115 mEq/L) com sintomas neurológicos (confusão mental, sonolência). A ausência de desidratação ou edema (euvolemia presumida), função renal normal e ausência de vômitos/diarreia, além de PA e FC estáveis, apontam para SIADH como causa mais provável.
A hiponatremia é o distúrbio eletrolítico mais comum em pacientes hospitalizados e pode ter consequências neurológicas graves. A Síndrome da Secreção Inapropriada de ADH (SIADH) é uma causa frequente de hiponatremia euvolêmica, sendo crucial para residentes reconhecer seus sinais e critérios diagnósticos. O caso clínico apresenta um cenário clássico de SIADH, com hiponatremia grave e sintomas neurológicos em um paciente com função renal aparentemente normal e sem sinais de hipovolemia ou hipervolemia. A fisiopatologia da SIADH envolve a secreção excessiva e inapropriada de hormônio antidiurético (ADH) por fontes não osmóticas, levando à retenção de água livre pelos rins. Isso resulta em diluição do sódio plasmático (hiponatremia), baixa osmolalidade plasmática e urina concentrada (alta osmolalidade urinária e sódio urinário elevado), apesar da hiponatremia. As causas são variadas, incluindo neoplasias (especialmente carcinoma de pequenas células do pulmão), doenças do SNC, medicamentos e doenças pulmonares. O diagnóstico de SIADH é de exclusão, após descartar outras causas de hiponatremia. O tratamento depende da gravidade dos sintomas e da cronicidade da hiponatremia. Em casos agudos e sintomáticos, a correção rápida do sódio com solução salina hipertônica é essencial para prevenir o edema cerebral. Em casos crônicos, a restrição hídrica é a medida primária, e podem ser usados fármacos como vaptanos. É fundamental evitar a correção excessivamente rápida para prevenir a síndrome de desmielinização osmótica.
Os critérios incluem hiponatremia euvolêmica, osmolalidade plasmática baixa (< 275 mOsm/kg), osmolalidade urinária inapropriadamente alta (> 100 mOsm/kg) e sódio urinário alto (> 30-40 mEq/L), na ausência de outras causas de hiponatremia.
As manifestações incluem cefaleia, náuseas, vômitos, confusão mental, letargia, convulsões e coma. Ocorrem devido ao edema cerebral causado pelo movimento de água para dentro das células cerebrais em resposta à hipoosmolalidade plasmática.
Na SIADH, a função adrenal é normal, e o paciente é euvolêmico. Na insuficiência adrenal, pode haver hiponatremia, mas geralmente acompanhada de hipercalemia, hipotensão e sinais de hipovolemia, além de deficiência de cortisol.
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