Hiponatremia Dilucional: Diagnóstico e Manejo Inicial

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de dezessete anos de idade deu entrada no serviço de emergência do hospital, levada por seus pais, devido a vômitos e a rebaixamento do nível de consciência. Não havia relato de febre. Negou comorbidades clínicas. Seus pais relataram que a jovem estava passando por um momento difícil, estava muito tensa com seus estudos, tinha emagrecido muito e ficado com a imunidade mais fraca,  apresentando muitas infecções urinárias e, até mesmo, Candida sp. Acreditam que, por medo de novas infecções, a paciente tem bebido água em excesso. Esta noite, devido ao quadro atual, resolveram levar a filha ao pronto-socorro. Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que a  melhor conduta inicial será

Alternativas

  1. A) passar sonda nasogástrica, realizar lavagem com carvão ativado, coletar amostra de urina e encaminhar ao CEATOX.
  2. B) coletar exames laboratoriais, com eletrólitos, gasometria e glicemia, e iniciar hidratação vigorosa.
  3. C) encaminhar a paciente para tomografia computadorizada de crânio com urgência.
  4. D) solicitar avaliação da equipe de psiquiatria, uma vez que não há indícios de doença orgânica no quadro clínico apresentado.
  5. E) iniciar ceftriaxone 2 g imediatamente e solicitar coleta de liquor.

Pérola Clínica

Rebaixamento consciência + polidipsia excessiva → suspeitar hiponatremia dilucional; coletar eletrólitos e gasometria.

Resumo-Chave

O quadro sugere intoxicação hídrica e hiponatremia dilucional, comum em polidipsia psicogênica. A prioridade é avaliar o balanço hidroeletrolítico e o estado metabólico para guiar a hidratação e prevenir complicações neurológicas graves.

Contexto Educacional

A hiponatremia dilucional, frequentemente associada à polidipsia psicogênica, é uma emergência hidroeletrolítica que pode levar a graves complicações neurológicas, como edema cerebral e herniação. É mais comum em pacientes com distúrbios psiquiátricos, mas pode ocorrer em outras condições. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para a morbimortalidade. A fisiopatologia envolve a ingestão excessiva de água que excede a capacidade renal de excreção, resultando em diluição do sódio sérico. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a dosagem de eletrólitos, glicemia e gasometria sendo exames iniciais essenciais para avaliar a gravidade e guiar o tratamento. O rebaixamento do nível de consciência é um sinal de alerta para hiponatremia grave. O manejo inicial foca na correção da hiponatremia, que deve ser gradual para evitar a síndrome de desmielinização osmótica. A hidratação vigorosa com soluções isotônicas pode ser necessária, mas a velocidade e o tipo de fluido dependem da gravidade e cronicidade da hiponatremia. Em casos graves, pode-se considerar soluções hipertônicas em ambiente monitorizado.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de alerta para hiponatremia dilucional em adolescentes?

Sinais incluem rebaixamento do nível de consciência, vômitos, cefaleia, convulsões e fraqueza muscular, especialmente em pacientes com histórico de polidipsia excessiva ou distúrbios psiquiátricos.

Qual a importância da coleta de eletrólitos e gasometria na suspeita de hiponatremia?

A coleta de eletrólitos (sódio, potássio) é fundamental para confirmar a hiponatremia e avaliar sua gravidade. A gasometria auxilia na identificação de distúrbios ácido-base associados, que podem influenciar o manejo.

Como diferenciar a polidipsia psicogênica de outras causas de hiponatremia?

A polidipsia psicogênica é caracterizada por ingestão excessiva de água sem estímulo fisiológico, levando à hiponatremia dilucional. Outras causas incluem SIADH, insuficiência cardíaca ou renal, que devem ser descartadas com exames complementares e histórico clínico.

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