FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 66 anos de idade, portador de hepatopatia crônica pelo vírus da hepatite C, tratado há 2 anos, com resposta virológica sustentada, comparece ao pronto atendimento com quadro de sonolência, aumento do volume abdominal e de membros inferiores. Exames laboratoriais mostraram hiponatremia com Na sérico de 123 mEq/L. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que apresenta a recomendação CORRETA para esse paciente.
Hepatopatia crônica + hiponatremia (Na < 125 mEq/L) + ascite/edema → restrição hídrica é a conduta inicial.
A hiponatremia em pacientes com hepatopatia crônica e ascite/edema é geralmente dilucional, devido à retenção de água livre exacerbada pela ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e ADH. A restrição hídrica é a pedra angular do tratamento, especialmente quando o sódio sérico está abaixo de 125 mEq/L.
A hiponatremia é uma complicação comum e grave em pacientes com hepatopatia crônica avançada, especialmente naqueles com cirrose e ascite. Sua presença está associada a um pior prognóstico, aumento da morbidade e mortalidade, e pode precipitar ou agravar a encefalopatia hepática e a síndrome hepatorrenal. A fisiopatologia da hiponatremia na cirrose é multifatorial, mas predominantemente dilucional. A hipertensão portal e a vasodilatação esplâncnica levam à hipovolemia arterial efetiva, ativando o sistema renina-angiotensina-aldosterona e a secreção não osmótica do hormônio antidiurético (ADH). Isso resulta em retenção renal de sódio e, principalmente, de água livre, diluindo o sódio sérico. O manejo da hiponatremia em pacientes cirróticos depende da gravidade e da presença de sintomas. Em casos de hiponatremia moderada a grave (Na < 125 mEq/L) e assintomática ou com sintomas leves, a restrição hídrica (geralmente < 1000-1500 mL/dia) é a pedra angular do tratamento. Diuréticos podem ser usados para ascite, mas com cautela para não piorar a hipovolemia. A restrição proteica é indicada para encefalopatia hepática, não para hiponatremia. A correção deve ser lenta para evitar a síndrome de desmielinização osmótica.
A principal causa é a hiponatremia dilucional, resultante da retenção excessiva de água livre devido à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e da secreção não osmótica do hormônio antidiurético (ADH).
A restrição hídrica visa reduzir a água livre corporal, corrigindo a diluição do sódio sérico sem o risco de depleção de volume que diuréticos podem causar, especialmente em pacientes com hiponatremia dilucional.
A correção muito rápida da hiponatremia pode levar à síndrome de desmielinização osmótica (mielinólise pontina), uma complicação neurológica grave. A correção deve ser gradual e monitorada para evitar danos cerebrais.
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