PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023
Paciente de 63 anos, sexo masculino, foi submetido a colectomia esquerda sob anestesia geral com relato de perda sanguínea significativa no perioperatório mas sem necessidade da administração de concentrado de hemácias. No pós-operatório imediato foi feita revisão laboratorial que demonstrou: Na: 131mEq/L; K: 5,8mEq/L; CI: 92mEq/L; pH arterial: 7,32; HCO₃; 20mEq/L; PaCO₂: 33mmHg; BE: -4mEq/L; glicemia 190mg%. Considerando os dados apresentados é CORRETO afirmar:
Hiperglicemia no pós-operatório pode causar hiponatremia dilucional, necessitando correção do sódio.
A hiperglicemia, comum no pós-operatório devido ao estresse cirúrgico, pode levar à hiponatremia dilucional. O excesso de glicose no plasma atrai água do espaço intracelular para o extracelular, diluindo o sódio sérico e exigindo correção para avaliar o verdadeiro estado de hidratação.
O período pós-operatório é frequentemente associado a uma série de alterações fisiológicas que podem levar a distúrbios hidroeletrolíticos e acidobásicos, exigindo atenção e manejo cuidadoso por parte dos residentes. O estresse cirúrgico, a perda sanguínea, a administração de fluidos e as respostas hormonais são fatores que contribuem para essas alterações. No caso apresentado, a hiponatremia e a hiperglicemia são achados importantes que se interligam. A hiperglicemia, comum no pós-operatório devido à resposta ao estresse (liberação de catecolaminas, cortisol e glucagon), pode induzir uma hiponatremia dilucional. O excesso de glicose no plasma aumenta a osmolalidade plasmática, puxando água do espaço intracelular para o extracelular, o que dilui o sódio sérico. É crucial corrigir o valor do sódio para a glicemia para obter uma estimativa mais precisa da natremia real e evitar diagnósticos errôneos. Além disso, a hipercalemia e a acidose metabólica observadas também são comuns no pós-operatório, podendo ser influenciadas por fatores como hipoperfusão tecidual, insuficiência renal aguda incipiente ou lise celular. A interpretação da gasometria arterial e dos eletrólitos deve ser feita de forma integrada, considerando o contexto clínico do paciente. A liberação de hormônio antidiurético (ADH) e aldosterona é frequentemente aumentada no pós-operatório devido ao estresse e à hipovolemia, o que pode impactar a homeostase de sódio e potássio. Dominar a fisiopatologia e o manejo desses distúrbios é essencial para a segurança e recuperação do paciente cirúrgico.
A hiperglicemia aumenta a osmolalidade plasmática, o que causa um movimento de água do compartimento intracelular para o extracelular. Essa diluição do volume plasmático resulta em uma diminuição aparente da concentração de sódio sérico, conhecida como hiponatremia dilucional.
A fórmula mais comum para corrigir o sódio é: Sódio corrigido = Sódio medido + 1.6 * (Glicemia - 100) / 100. Para cada 100 mg/dL de glicemia acima de 100 mg/dL, o sódio medido é subestimado em aproximadamente 1.6 mEq/L.
A hipercalemia no pós-operatório pode ser multifatorial, incluindo acidose metabólica (que causa troca de K+ intracelular por H+ extracelular), insuficiência renal aguda, lise celular (por trauma, hemólise), uso de certos medicamentos (ex: IECA, BRA, diuréticos poupadores de potássio) e transfusões sanguíneas maciças.
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