Cirrose Hepática: Hiponatremia como Marcador de Gravidade

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2020

Enunciado

Sobre as complicações mais importantes da cirrose hepática, marque a correta:

Alternativas

  1. A) A síndrome hepatorrenal, apesar de grave, não aumenta o risco absoluto de óbito.
  2. B) O diagnóstico de encefalopatia hepática é confirmado com ressonância nuclear magnética de encéfalo.
  3. C) A hiponatremia é um marcador da gravidade da cirrose, associada com maior mortalidade.
  4. D) O uso de endoscopia digestiva alta para diagnóstico e ligadura de varizes esofágicas está indicado apenas apos o primeiro episódio de hemorragia digestiva.
  5. E) A peritonite bacteriana espontânea pode ser confirmada apenas pelo exame clínico.

Pérola Clínica

Hiponatremia dilucional em cirrose = marcador de gravidade e ↑ mortalidade, refletindo disfunção renal e hepática avançada.

Resumo-Chave

A hiponatremia em pacientes cirróticos, geralmente dilucional devido à retenção hídrica excessiva e secreção inapropriada de ADH, é um indicador de descompensação grave e está fortemente associada a um pior prognóstico e maior risco de óbito.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que leva à fibrose e desorganização da arquitetura hepática, resultando em disfunção orgânica e hipertensão portal. As complicações são numerosas e graves, incluindo ascite, encefalopatia hepática, sangramento por varizes esofágicas, síndrome hepatorrenal e peritonite bacteriana espontânea (PBE). A compreensão dessas complicações é vital para o manejo e prognóstico dos pacientes. Entre as complicações, a hiponatremia é um distúrbio eletrolítico comum em pacientes com cirrose avançada, especialmente aqueles com ascite refratária. Geralmente é uma hiponatremia dilucional, causada pela retenção excessiva de água livre devido à secreção não osmótica de hormônio antidiurético (ADH) e à incapacidade renal de excretar água. A hiponatremia é um marcador independente de gravidade da doença e está associada a um aumento significativo da mortalidade, além de piorar a encefalopatia hepática e aumentar o risco de síndrome hepatorrenal. Outras complicações importantes incluem a síndrome hepatorrenal, que é uma forma de insuficiência renal funcional que aumenta drasticamente o risco de óbito; a encefalopatia hepática, diagnosticada clinicamente e por exclusão; e as varizes esofágicas, que requerem rastreamento endoscópico para profilaxia primária de sangramento. A PBE, uma infecção do líquido ascítico, exige paracentese diagnóstica para confirmação. O manejo adequado dessas complicações é crucial para melhorar a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes cirróticos.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre hiponatremia e mortalidade na cirrose hepática?

A hiponatremia na cirrose, geralmente dilucional, é um forte preditor de pior prognóstico e maior mortalidade. Ela reflete a ativação de sistemas vasoconstritores e a incapacidade renal de excretar água livre, indicando doença hepática avançada.

Como é feito o diagnóstico da encefalopatia hepática?

O diagnóstico da encefalopatia hepática é clínico, baseado na avaliação do estado mental e neurológico do paciente, e pela exclusão de outras causas de alteração do nível de consciência. Exames de imagem como ressonância não são confirmatórios, mas podem excluir outras patologias cerebrais.

Quando a endoscopia digestiva alta é indicada para varizes esofágicas em cirróticos?

A endoscopia digestiva alta é indicada para rastreamento de varizes esofágicas em todos os pacientes com diagnóstico de cirrose, independentemente de terem tido um episódio de sangramento. O objetivo é identificar varizes de alto risco e iniciar profilaxia primária.

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