Fisiopatologia da Hiponatremia na Cirrose Hepática

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 58 anos de idade, com histórico de etilismo (80 g/dia por 30 anos) e cirrose hepática diagnosticada há 2 anos, apresenta-se ao ambulatório com ascite moderada, asterixis, icterícia e relato de dois episódios prévios de encefalopatia hepática. Faz uso de lactulose. Exames revelam bilirrubina total: 5,4 mg/dL, albumina sérica: 2,2 g/dL, creatinina: 1,6 mg/dL, INR: 2,1, sódio: 127 mEq/L. Ultrassonografia abdominal mostra fígado de contornos irregulares e ausência de nódulos\n\nDiante do caso clínico, especifique o mecanismo mais importante envolvido na fisiopatologia da hiponatremia:

Alternativas

  1. A) Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e aumento da secreção de vasopressina.
  2. B) Insuficiência adrenal secundária à atrofia do córtex adrenal em hepatopatas crônicos.
  3. C) Síndrome hepatorrenal tipo 2 com retenção preferencial de sódio no espaço extravascular.
  4. D) Diluição secundária à administração excessiva de fluidos isotônicos para reposição volêmica.

Pérola Clínica

Cirrose → Vasodilatação esplâncnica → ↓ Volume arterial efetivo → ↑ ADH e SRAA → Hiponatremia dilucional.

Resumo-Chave

A hiponatremia na cirrose é tipicamente dilucional, causada pela ativação neuro-hormonal em resposta à queda do volume arterial efetivo.

Contexto Educacional

A hiponatremia na cirrose é um exemplo clássico de hiponatremia hipervolêmica. A fisiopatologia central é a vasodilatação arterial sistêmica e esplâncnica, que gera uma 'hipovolemia relativa'. Em resposta, o organismo ativa o Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) e o Sistema Nervoso Simpático.\n\nSimultaneamente, ocorre a secreção não-osmótica de vasopressina (hormônio antidiurético), que impede a excreção de água livre pelos rins. O resultado final é um ganho líquido de água que dilui o sódio corporal total, mesmo que este último esteja aumentado devido à retenção renal secundária ao SRAA.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre hiponatremia na cirrose avançada?

A hipertensão portal causa vasodilatação esplâncnica mediada por óxido nítrico. Isso reduz o volume arterial efetivo, ativando barorreceptores que estimulam a liberação não-osmótica de vasopressina (ADH) e o sistema SRAA, levando à retenção de água superior à de sódio.

Qual o impacto da hiponatremia no prognóstico do cirrótico?

A hiponatremia é um marcador de gravidade e disfunção circulatória. Ela está associada a maior risco de encefalopatia hepática, síndrome hepatorrenal e maior mortalidade, sendo incluída no escore MELD-Na.

Como tratar a hiponatremia dilucional na cirrose?

O tratamento baseia-se na restrição hídrica (geralmente < 1000ml/dia) e suspensão de diuréticos se o sódio estiver muito baixo (< 120-125 mEq/L). O uso de vaptanos (antagonistas da vasopressina) é controverso e restrito.

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