Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Sexo masculino, 50 anos, morador de áreas livres. Evoluiu com confusão mental e rebaixamento de nível de consciência há 1 dia. Ao exame: PA 130x80 / FC 66 BPM / FR 14 IRPM / SpO2 94% em ar ambiente; REG, corado, hidratado, acianótico, anictérico, afebril. ACV: RCR 2t BNF sem sopros. Sem turgência jugular patológica / AR: estertoração difusa em ambos os pulmões. / Neurológico: sonolento e desorientado. Sem alteração de Nervos cranianos.Exames: Sódio 110 mEq/L. Potássio: 3,6 mEq/L; Função renal e hepática sem alteração. Rx tórax abaixo:A provável etiologia da hiponatremia é
Hiponatremia euvolêmica com sintomas neurológicos e função renal/hepática normal → suspeitar SIADH.
O paciente apresenta hiponatremia grave (Na 110 mEq/L) com sintomas neurológicos e euvolemia clínica (sem sinais de desidratação ou sobrecarga hídrica, função renal/hepática normal). A presença de estertoração pulmonar difusa, sem outros sinais de insuficiência cardíaca ou cirrose, pode ser um achado inespecífico ou relacionado a uma condição subjacente que causa SIADH, como pneumonia ou neoplasia. A secreção inapropriada de ADH (SIADH) é a causa mais provável de hiponatremia euvolêmica.
A hiponatremia, definida como um nível sérico de sódio inferior a 135 mEq/L, é o distúrbio eletrolítico mais comum em pacientes hospitalizados e pode levar a sintomas neurológicos graves, como confusão mental e rebaixamento do nível de consciência, especialmente quando a queda é rápida ou o sódio é muito baixo. A avaliação do estado volêmico do paciente é o primeiro passo crucial para o diagnóstico diferencial da hiponatremia. No caso apresentado, o paciente tem hiponatremia grave (110 mEq/L) com sintomas neurológicos, mas está clinicamente euvolêmico (hidratado, sem turgência jugular patológica, PA e FC normais, sem sinais claros de sobrecarga ou depleção volêmica). A função renal e hepática são normais, o que exclui lesão renal aguda ou cirrose hepática como causas diretas de hiponatremia hipervolêmica. A ausência de sinais de insuficiência cardíaca também afasta essa etiologia. A Síndrome de Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH) é a causa mais comum de hiponatremia euvolêmica. Ela ocorre quando há liberação excessiva de ADH (vasopressina) de forma não osmótica, levando à retenção de água livre e diluição do sódio sérico. As causas de SIADH são variadas e incluem doenças pulmonares (como pneumonia, que pode ser sugerida pela estertoração difusa no RX de tórax), doenças do sistema nervoso central, neoplasias (especialmente câncer de pulmão de pequenas células) e certos medicamentos. O tratamento envolve restrição hídrica e, em casos graves, pode-se usar soluções salinas hipertônicas ou antagonistas do receptor de vasopressina.
Os critérios incluem hiponatremia euvolêmica, osmolalidade plasmática baixa, osmolalidade urinária elevada, sódio urinário elevado (>20-40 mEq/L) e função renal, adrenal e tireoidiana normais.
SIADH pode ser causada por doenças pulmonares (pneumonia, câncer), doenças do SNC (AVC, meningite, tumores), certos medicamentos (ISRS, carbamazepina), dor, estresse e neoplasias (especialmente câncer de pulmão de pequenas células).
A hiponatremia causa edema cerebral devido ao movimento de água para dentro das células cerebrais, levando a sintomas como cefaleia, náuseas, vômitos, confusão mental, convulsões e coma.
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