Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022
Homem de 70 anos, com 78kg, apresenta-se euvolêmico, internado por distúrbios eletrolíticos secundário ao uso de tiazídico, o qual foi suspenso. Exames laboratoriais com Na=124 mEq/L, K=2,5mEq/L. Realizada prescrição de correção com cloreto de potássio a 6% via oral 20 mL a cada 8 horas e 1000mL de soro fisiológico (NaCl 0,9%) com 50 mL de NaCl a 20% e 20 mL de KCl 19,1% por via endovenosa em bomba de infusão em 24 horas. O novo sódio e potássio séricos esperados após 24 horas do início dessa reposição é, respectivamente:
Correção de Na e K requer cálculo cuidadoso de volume e concentração para evitar hipercorreção.
A correção da hiponatremia e hipocalemia deve ser gradual para evitar complicações. A hiponatremia sintomática pode ser corrigida com soro hipertônico, enquanto a hipocalemia requer reposição de potássio, tanto oral quanto intravenosa, com monitoramento rigoroso. A taxa de correção do sódio não deve exceder 8-10 mEq/L em 24h.
Distúrbios eletrolíticos como hiponatremia e hipocalemia são condições comuns em pacientes hospitalizados, frequentemente associadas ao uso de diuréticos tiazídicos, que inibem o cotransportador de Na-Cl no túbulo contorcido distal, aumentando a excreção de sódio e potássio. A hiponatremia (Na < 135 mEq/L) e a hipocalemia (K < 3,5 mEq/L) podem levar a sintomas neurológicos, cardíacos e musculares, sendo crucial o manejo adequado para prevenir complicações graves. O diagnóstico e tratamento desses distúrbios exigem uma avaliação cuidadosa do estado volêmico do paciente e a identificação da causa subjacente. A correção da hiponatremia deve ser gradual para evitar a síndrome de desmielinização osmótica, enquanto a hipocalemia, especialmente se grave, requer reposição de potássio por via oral ou intravenosa, com monitoramento contínuo dos níveis séricos e do eletrocardiograma. A prescrição de fluidos e eletrólitos deve ser calculada com precisão, utilizando fórmulas como a de Adrogué-Madi para estimar a mudança no sódio sérico. É fundamental considerar o volume total de água corporal e a concentração dos eletrólitos nas soluções infundidas. O manejo envolve a suspensão de agentes causadores, como os tiazídicos, e a reposição adequada para restaurar o equilíbrio eletrolítico de forma segura e eficaz.
A fórmula de Adrogué-Madi estima a mudança no sódio sérico: ΔNa = (Na infundido - Na sérico) / (Água Corporal Total + 1). A Água Corporal Total (ACT) é aproximadamente 0,6 x peso para homens e 0,5 x peso para mulheres.
A taxa de correção do sódio não deve exceder 8-10 mEq/L nas primeiras 24 horas e 18 mEq/L nas primeiras 48 horas para evitar a síndrome de desmielinização osmótica.
A reposição de potássio deve ser cautelosa, especialmente por via intravenosa, devido ao risco de hipercalemia e arritmias. A velocidade máxima de infusão periférica é geralmente 10-20 mEq/hora, e a concentração máxima periférica é 40-60 mEq/L.
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