FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Paciente de 58 anos, gênero masculino, etilista importante é admitido em unidade de emergência após apresentar episódio de crise convulsiva. Ao exame físico, apresenta-se confuso no tempo e espaço. Exames complementares colhidos evidenciaram Mg⁺² = 0,9mg/dl. Em decorrência deste achado laboratorial qual outro distúrbio hidroeletrolítico você esperaria encontrar neste paciente?
Hipomagnesemia grave (<1,0 mg/dL) em etilistas frequentemente cursa com hipocalcemia e hipocalemia refratárias.
A hipomagnesemia grave, comum em etilistas, interfere na secreção e ação do paratormônio (PTH) e na resposta dos órgãos-alvo ao PTH, resultando em hipocalcemia. Além disso, a hipomagnesemia pode causar hipocalemia refratária ao tratamento, pois o magnésio é essencial para a função da bomba Na+/K+-ATPase.
A hipomagnesemia, definida como níveis séricos de magnésio abaixo de 1,7 mg/dL (ou 0,7 mmol/L), é um distúrbio eletrolítico comum, especialmente em pacientes hospitalizados e etilistas crônicos. O magnésio é um cofator essencial para mais de 300 reações enzimáticas, desempenhando papéis cruciais na função neuromuscular, cardíaca e no metabolismo energético. Em etilistas, a hipomagnesemia é frequentemente multifatorial, envolvendo ingestão inadequada, má absorção intestinal, aumento da excreção renal induzida pelo álcool e perdas gastrointestinais. Os sintomas da hipomagnesemia são variados e inespecíficos, incluindo fraqueza muscular, tremores, tetania, hiperreflexia, arritmias cardíacas e alterações neuropsiquiátricas como confusão, desorientação e convulsões. A hipomagnesemia grave (geralmente < 1,0 mg/dL) é particularmente preocupante, pois interfere diretamente no metabolismo do cálcio e do potássio. Ela inibe a secreção de paratormônio (PTH) e causa resistência dos tecidos-alvo ao PTH, levando à hipocalcemia. Além da hipocalcemia, a hipomagnesemia também pode causar hipocalemia refratária, pois o magnésio é necessário para a função adequada da bomba Na+/K+-ATPase. O tratamento da hipomagnesemia envolve a reposição de magnésio, geralmente por via intravenosa em casos sintomáticos ou graves, e a correção da causa subjacente. É fundamental corrigir a hipomagnesemia antes de tentar corrigir a hipocalcemia ou hipocalemia associadas, pois estas últimas podem ser refratárias até que os níveis de magnésio sejam normalizados.
Em etilistas, a hipomagnesemia é multifatorial, incluindo ingestão dietética inadequada, má absorção intestinal, aumento da excreção renal devido ao álcool e diuréticos, e perdas gastrointestinais (vômitos, diarreia).
A hipomagnesemia grave pode causar uma variedade de sintomas neurológicos, como tremores, fasciculações, tetania, hiperreflexia, confusão mental, desorientação, alucinações e, em casos extremos, convulsões e coma.
A hipomagnesemia grave prejudica a secreção de paratormônio (PTH) pelas glândulas paratireoides e também causa resistência dos órgãos-alvo (ossos e rins) à ação do PTH, resultando em hipocalcemia funcional.
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