Hipolactasia do Tipo Adulto: Diagnóstico e Manejo Clínico

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Menino, 9 anos de idade, apresenta dor abdominal, distensão, diarreia sem sangue e flatulência que se inicia após a ingestão de leite de vaca integral. Não apresenta sintomas quando ingere iogurte. O quadro se iniciou há cerca de 2 anos. Exame físico: normal. Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Intolerância à lactose congênita.
  2. B) Intolerância à lactose secundária.
  3. C) Hipolactasia do tipo adulto.
  4. D) Alergia à lactose.

Pérola Clínica

Hipolactasia tipo adulto = queda fisiológica da lactase após desmame; iogurte é tolerado.

Resumo-Chave

A hipolactasia do tipo adulto é a causa mais comum de intolerância à lactose, caracterizada pela redução geneticamente programada da atividade da lactase após a infância.

Contexto Educacional

A hipolactasia do tipo adulto é uma característica fenotípica comum na maioria da população mundial, resultando da regulação negativa da transcrição do gene LCT. Os sintomas surgem porque a lactose não hidrolisada permanece no lúmen intestinal, exercendo efeito osmótico e sendo fermentada pela microbiota colônica, gerando gases (H2, CH4, CO2) e ácidos graxos de cadeia curta. O manejo foca na restrição dietética parcial, uso de enzimas exógenas ou preferência por alimentos fermentados.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com intolerância à lactose toleram iogurte?

Pacientes com hipolactasia do tipo adulto frequentemente toleram iogurte melhor do que o leite in natura. Isso ocorre porque o processo de fermentação reduz a carga total de lactose e as bactérias presentes no iogurte (como Lactobacillus) produzem sua própria lactase, que sobrevive à passagem gástrica e auxilia na digestão da lactose remanescente no lúmen intestinal do hospedeiro.

Qual a diferença entre hipolactasia primária e secundária?

A hipolactasia primária (tipo adulto) é uma condição genética onde a expressão do gene da lactase diminui progressivamente após o desmame. Já a hipolactasia secundária é transitória, causada por lesão na mucosa do intestino delgado (onde a lactase se localiza no topo das vilosidades) decorrente de infecções, doença celíaca ou giardíase. Na forma secundária, a capacidade de digerir lactose retorna após a recuperação da mucosa.

Como é feito o diagnóstico clínico da intolerância à lactose?

O diagnóstico é clínico, baseado na correlação entre ingestão de laticínios e sintomas como distensão abdominal, flatulência e diarreia osmótica. Testes complementares incluem o teste de hidrogênio no ar expirado (padrão-ouro) ou o teste de tolerância à lactose oral (curva glicêmica). Em crianças, a melhora dos sintomas após a exclusão da lactose por 2 semanas é uma prova terapêutica válida.

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