UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020
Criança de 4 anos de idade é levada ao Pronto Atendimento com quadro de diarreia aguda, aquosa, vários episódios ao dia, associada à recusa alimentar. Apresenta Peso/Estatura, Peso/Idade e IMC abaixo do z- escore -3. Ao exame, criança sudoreica, letárgica, pálida, com mucosas ressecadas, frequência cardíaca de 150 bpm e pulsos fracos. Nesse contexto, é correto afirmar que a paciente possui, além da desidratação, outro quadro clínico que necessita de correção imediata. Trata-se de:
Criança desnutrida com diarreia grave e letargia → suspeitar e corrigir hipoglicemia imediatamente.
Em crianças desnutridas com diarreia e desidratação grave, a hipoglicemia é uma complicação comum e potencialmente fatal que exige correção imediata. A letargia e a sudorese são sinais de alerta importantes, além dos sinais de choque hipovolêmico.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. A desidratação é a complicação mais comum e imediata, mas em crianças desnutridas, outras condições metabólicas graves, como a hipoglicemia, são frequentes e exigem atenção urgente. A desnutrição compromete as reservas energéticas e a capacidade de resposta metabólica do organismo. A fisiopatologia da hipoglicemia em crianças com diarreia e desnutrição envolve a combinação de baixa ingestão alimentar, perdas gastrointestinais e aumento do gasto energético devido à infecção, além de reservas limitadas de glicogênio e comprometimento da gliconeogênese hepática. Os sinais clínicos podem ser inespecíficos, como letargia e sudorese, que podem ser confundidos com choque ou desidratação grave, tornando a triagem para hipoglicemia essencial. O tratamento da hipoglicemia é uma prioridade na abordagem da criança gravemente desidratada e desnutrida. A administração rápida de glicose intravenosa é vital para reverter o quadro e prevenir danos neurológicos permanentes. Além disso, a reidratação com soluções apropriadas e o manejo da desnutrição subjacente são componentes cruciais do tratamento global, visando estabilizar o paciente e prevenir futuras complicações.
Sinais incluem letargia, irritabilidade, sudorese, tremores, convulsões e, em casos graves, coma. Em crianças desnutridas, a apresentação pode ser atípica.
A correção imediata envolve a administração de glicose intravenosa (ex: 2-5 mL/kg de glicose a 10%) ou, se consciente, glicose oral. A reidratação também é crucial.
Crianças desnutridas têm reservas de glicogênio hepático reduzidas e menor capacidade de gliconeogênese, tornando-as mais vulneráveis à hipoglicemia em situações de estresse metabólico como a diarreia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo