Hipoglicemia Noturna em DM2: Diagnóstico e Manejo

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 58 anos vai ao Centro de Saúde para consulta de acompanhamento médico. Queixa-se de acordar frequentemente durante a madrugada com taquicardia e sudorese. Possui diabetes melito tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. Faz uso domiciliar regular, há dois anos, de metformina 850mg duas vezes ao dia, gliclazida 60mg pela manhã, enalapril 20mg duas vezes ao dia. Relata menopausa há três anos, é viúva há seis anos e não possui parceiro sexual desde então. Ao exame, PA 156/84mmHg, FC 98bpm, FR 19ipm; sem outras anormalidades. Diz que a PA aferida pela filha enfermeira, em casa, geralmente está em torno de 120/80mmHg. Exames de laboratório atuais: hemoglobina glicada A1c 6,3%; creatinina 0,7mg/dL, potássio 4,3mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta INADEQUADA após essa consulta

Alternativas

  1. A) Acrescentar anlodipino à prescrição
  2. B) Reduzir a dosagem de gliclazida
  3. C) Solicitar dosagem de vitamina B12
  4. D) Solicitar aferições de glicemia capilar durante a madrugada

Pérola Clínica

Sintomas noturnos (taquicardia, sudorese) em DM2 com gliclazida → investigar hipoglicemia noturna.

Resumo-Chave

A queixa de taquicardia e sudorese durante a madrugada em paciente diabética em uso de gliclazida (uma sulfonilureia) é altamente sugestiva de hipoglicemia noturna. A gliclazida estimula a secreção de insulina independentemente da glicemia, aumentando o risco de hipoglicemia, especialmente à noite. A HbA1c controlada (6,3%) reforça a suspeita de que a dose de gliclazida pode estar excessiva para o controle atual.

Contexto Educacional

A hipoglicemia é uma complicação comum e potencialmente grave do tratamento do diabetes, especialmente em pacientes que utilizam medicamentos que estimulam a secreção de insulina, como as sulfonilureias (ex: gliclazida) ou insulina. A hipoglicemia noturna é particularmente insidiosa, pois os sintomas podem ser atípicos ou o paciente pode não acordar, levando a eventos prolongados e não reconhecidos. Os sintomas de hipoglicemia noturna podem ser adrenérgicos (taquicardia, sudorese, tremores) ou neuroglicopênicos (confusão, pesadelos, cefaleia matinal). Em pacientes com diabetes tipo 2 e HbA1c controlada, a presença desses sintomas noturnos deve levantar forte suspeita de hipoglicemia, especialmente se estiverem em uso de sulfonilureias. A gliclazida, embora tenha um perfil de segurança melhor que outras sulfonilureias mais antigas, ainda pode causar hipoglicemia. A conduta adequada inclui a investigação da hipoglicemia noturna através de monitorização da glicemia capilar durante a madrugada e, se confirmada, a redução da dose da sulfonilureia (gliclazida) ou a substituição por uma medicação com menor risco de hipoglicemia. A pressão arterial da paciente, embora elevada no consultório, pode ser um efeito do estresse, e a aferição domiciliar sugere um controle adequado, tornando a adição de um novo anti-hipertensivo inadequada sem investigação prévia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas comuns de hipoglicemia noturna em pacientes diabéticos?

Os sintomas de hipoglicemia noturna podem incluir sudorese excessiva, taquicardia, pesadelos, cefaleia ao acordar, confusão mental e fadiga.

Por que a gliclazida pode causar hipoglicemia noturna?

A gliclazida, uma sulfonilureia, estimula a secreção de insulina pelas células beta do pâncreas de forma independente da glicemia, o que pode levar a níveis excessivos de insulina e, consequentemente, hipoglicemia, especialmente se a dose for alta ou a ingestão alimentar inadequada.

Como investigar a suspeita de hipoglicemia noturna?

A investigação envolve a solicitação de aferições de glicemia capilar durante a madrugada (entre 2h e 4h) por alguns dias, além de revisar a dieta e o esquema medicamentoso do paciente.

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