Hipoglicemia no Idoso Diabético: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Um homem com 65 anos de idade, diabético, chega com familiares para consulta no serviço de pronto atendimento devido a confusão mental. Os familiares informam que ele é diabético há 20 anos e faz acompanhamento com o endocrinologista, em uso de insulina há 2 meses (não sabem a dose, mas que faz uso 2 vezes ao dia), além de acompanhamento com o nefrologista há 1 mês, por uma alteração renal que não sabem especificar qual é. Relatam que, no dia anterior, o paciente havia começado a realizar caminhadas para tentar melhor controle do diabetes e que ele vem reduzindo sua quantidade de alimentos com essa mesma intenção. Contam que hoje pela manhã, começou a queixar-se de suor frio e tontura e que, em poucos minutos, tornou-se confuso, apresentando dificuldade para articular as palavras. Ao exame físico apresenta-se normal, sem sinais focais, mas confuso, sem conseguir manter uma conversa ou contato visual. Apresenta pressão arterial de 130 x 90 mmHg e frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto, com tremores de extremidades.Considerando que, na abordagem inicial do paciente, foram realizadas monitorização, suplementação de oxigênio e punção de acesso venoso periférico, faça o que se pede nos itens a seguir.a) Cite a principal hipótese diagnóstica a ser considerada. Justifique sua resposta.b) Indique o exame complementar a ser solicitado imediatamente nesse caso.c) Descreva a conduta medicamentosa imediata.

Alternativas

Pérola Clínica

Confusão mental + sudorese + uso de insulina + jejum/exercício = Hipoglicemia.

Resumo-Chave

A hipoglicemia é a principal emergência metabólica em diabéticos em uso de insulina, agravada por mudanças na dieta, atividade física ou disfunção renal.

Contexto Educacional

Este caso ilustra a tríade clássica de Whipple: sintomas compatíveis com hipoglicemia, baixa concentração plasmática de glicose e alívio dos sintomas após a correção da glicemia. No idoso diabético, fatores como a introdução recente de insulina, a prática de exercícios sem ajuste calórico e a provável doença renal crônica (nefropatia) criam o cenário perfeito para a hipoglicemia grave. O reconhecimento rápido é vital, pois a hipoglicemia prolongada pode levar a danos neurológicos permanentes ou eventos cardiovasculares agudos. A monitorização da glicemia capilar deve ser o primeiro passo em qualquer paciente diabético com alteração do estado mental.

Perguntas Frequentes

Quais os sintomas de neuroglicopenia na hipoglicemia?

Os sintomas neuroglicopênicos resultam da privação de glicose no sistema nervoso central e incluem confusão mental, fadiga, alterações comportamentais, dificuldade de fala (disartria), tontura, convulsões e, em casos graves, coma. Diferenciam-se dos sintomas autonômicos (adrenérgicos), como sudorese, tremores, palpitações e ansiedade, que geralmente precedem a neuroglicopenia.

Por que a doença renal aumenta o risco de hipoglicemia?

A insulina é parcialmente metabolizada e excretada pelos rins. Na presença de insuficiência renal (nefropatia diabética), a meia-vida da insulina circulante é prolongada devido à redução do seu clearance renal. Além disso, o rim participa da gliconeogênese; logo, a falência renal compromete a produção endógena de glicose, tornando o paciente muito mais suscetível a episódios hipoglicêmicos.

Qual a conduta imediata na hipoglicemia com alteração de consciência?

Em pacientes com nível de consciência comprometido (incapazes de deglutir), a conduta imediata é a administração de glicose intravenosa. Geralmente utiliza-se 20g a 50g de glicose (ex: 40-100 ml de Glicose a 50% ou 200ml a 10%). Se o acesso venoso não for possível, o glucagon 1mg via IM ou SC pode ser utilizado, embora sua eficácia dependa de estoques hepáticos de glicogênio.

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