UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Um recém-nascido, de mãe diabética, com 3 horas de vida, mostra-se ativo, com boa sucção no seio materno, eupneico, pletórico. A mãe refere ainda não ter leite, apenas colostro. O resultado da glicemia foi 50. A conduta mais apropriada é:
RN mãe diabética, glicemia 50, assintomático → manter aleitamento e controle glicêmico.
Recém-nascidos de mães diabéticas têm maior risco de hipoglicemia. No entanto, um RN ativo, com boa sucção e glicemia de 50 mg/dL, mesmo que no limite inferior da normalidade para alguns, não necessita de infusão venosa de glicose se estiver assintomático e se alimentando bem. O aleitamento materno é a conduta mais apropriada.
A hipoglicemia neonatal é uma condição comum, especialmente em recém-nascidos de mães diabéticas (RNMD), devido à hiperinsulinemia fetal crônica induzida pela hiperglicemia materna. Após o nascimento, a interrupção do suprimento contínuo de glicose materna, na presença de níveis elevados de insulina, pode levar a uma queda rápida da glicemia. A identificação e manejo adequados são cruciais para prevenir danos neurológicos. O diagnóstico de hipoglicemia em RNs é baseado na dosagem da glicemia capilar ou venosa. Para RNMD, o monitoramento da glicemia deve ser iniciado precocemente. Um RNMD ativo, com boa sucção e sem sinais de hipoglicemia (como letargia, tremores, irritabilidade, hipotonia, apneia, cianose ou convulsões), mesmo com uma glicemia de 50 mg/dL (que está no limite inferior da normalidade para alguns protocolos, mas ainda acima do limiar de intervenção para RNs assintomáticos), deve ter o aleitamento materno incentivado e mantido. A conduta mais apropriada para um RNMD assintomático com glicemia de 50 mg/dL é manter o aleitamento materno exclusivo e continuar o controle dos níveis de glicose. A oferta de solução glicosada oral ou fórmula infantil pode interferir no estabelecimento do aleitamento materno e não é necessária se o bebê estiver bem e se alimentando. A infusão venosa de glicose é reservada para casos de hipoglicemia sintomática ou persistente, ou quando a alimentação oral é ineficaz ou impossível.
Os principais fatores de risco incluem ser filho de mãe diabética, prematuridade, restrição de crescimento intrauterino, macrossomia, asfixia perinatal, sepse e hipotermia. A identificação desses fatores é crucial para a triagem.
Para RNs a termo, valores abaixo de 40-45 mg/dL nas primeiras 24-72 horas de vida são geralmente considerados hipoglicemia, embora o limiar possa variar dependendo do protocolo e da presença de sintomas.
A infusão venosa de glicose é indicada para RNs sintomáticos com hipoglicemia, ou para aqueles assintomáticos que não respondem à alimentação oral ou cujos níveis de glicose estão persistentemente muito baixos (geralmente < 25-30 mg/dL), ou em casos de impossibilidade de alimentação oral.
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