Hipoglicemia Neonatal: Conduta no Filho de Mãe Diabética

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 33 anos de idade, na 38ª semana de gestação, com diabete gestacional controlada com dieta, é admitida em trabalho de parto, com bolsa rota 2 hs antes do parto, vaginal, sem intercorrências. Recém-nascido apresenta boa vitalidade ao nascer e é classificado como de termo, grande para a idade gestacional (RNTGIG). Realizado contato pele a pele e iniciado aleitamento materno já na primeira hora. Indicada triagem de glicemia. Com 1 hora de vida glicemia normal. Com 3 horas de vida, em alojamento conjunto, o RN apresentou tremores e cianose de extremidades e a glicemia capilar era de 32 mg%. Responda:a) Qual (is) exame (s) deve (s) ser solicitado (s) neste momento?b) Prescreva a conduta imediata. c) Escreva o soro de manutenção para 24 hs. 

Alternativas

Pérola Clínica

RN sintomático + Glicemia < 40 mg/dL → Bolus de Glicose 10% (2 ml/kg) IV imediato.

Resumo-Chave

A hipoglicemia em filhos de mães diabéticas decorre do hiperinsulinismo fetal persistente. Casos sintomáticos exigem correção endovenosa imediata para prevenir dano neurológico.

Contexto Educacional

O filho de mãe diabética (FMD) está exposto a altos níveis de glicose transplacentária, o que estimula o pâncreas fetal a produzir insulina em excesso (hiperinsulinismo). Após o nascimento, o suprimento de glicose é interrompido abruptamente, mas os níveis de insulina permanecem elevados, levando à queda rápida da glicemia nas primeiras horas de vida. O manejo depende da presença de sintomas. RNs assintomáticos com glicemia limítrofe podem ser manejados com alimentação precoce. Entretanto, a presença de sinais como tremores, cianose, letargia ou convulsões classifica a hipoglicemia como sintomática, exigindo intervenção parenteral imediata para evitar a neuroglicopenia e sequelas permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais exames solicitar na hipoglicemia neonatal sintomática?

Imediatamente deve-se realizar a glicemia capilar para triagem e, simultaneamente, colher glicemia plasmática (padrão-ouro). Em casos persistentes ou graves, avalia-se a necessidade de gasometria arterial, eletrólitos (cálcio e magnésio, frequentemente baixos em filhos de mães diabéticas), insulina, cortisol e triagem metabólica se houver suspeita de erros inatos.

Qual a conduta imediata para RN com tremores e glicemia de 32 mg/dL?

A conduta é a administração imediata de um 'mini-bolus' de Glicose a 10% na dose de 2 ml/kg (200 mg/kg) por via endovenosa. Após o bolus, deve-se iniciar uma infusão contínua de glicose (VIG - Taxa de Infusão de Glicose) para manter a estabilidade glicêmica, geralmente começando entre 4 a 6 mg/kg/min.

Como calcular o soro de manutenção (VIG) para 24 horas?

O cálculo baseia-se na Taxa de Infusão de Glicose (VIG). Para um RN de termo, inicia-se com VIG de 4-6 mg/kg/min e volume hídrico de 60-80 ml/kg/dia no primeiro dia. A fórmula da VIG é: (Concentração de Glicose % x Velocidade de Infusão em ml/h) / (6 x Peso em kg). Ajusta-se a concentração do soro para atingir o alvo terapêutico.

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