MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um lactente de 8 meses é levado à emergência após um período de jejum prolongado devido a uma infecção viral leve que reduziu seu apetite. O paciente apresenta-se letárgico, hipotônico e com sudorese fria. Exames laboratoriais revelam hipoglicemia severa, mas, curiosamente, a pesquisa de corpos cetônicos na urina é negativa (hipoglicemia hipocetótica). Suspeita-se de uma deficiência enzimática que impede a entrada de ácidos graxos de cadeia longa na matriz mitocondrial para a produção de energia. Qual componente bioquímico é essencial para o transporte dessas moléculas através da membrana mitocondrial interna, permitindo o início da beta-oxidação?
Sempre que encontrar um caso de hipoglicemia em que os corpos cetônicos deveriam estar altos (jejum), mas estão baixos ou ausentes, pense em defeitos no transporte ou na oxidação de ácidos graxos.
A hipoglicemia hipocetótica em lactentes é um sinal de alerta grave que frequentemente aponta para um erro inato do metabolismo, especificamente um distúrbio da beta-oxidação de ácidos graxos. A compreensão dessa condição é vital para residentes, pois o diagnóstico precoce e o manejo adequado podem prevenir danos neurológicos permanentes e até mesmo a morte. A incidência desses distúrbios varia, mas são condições sérias que exigem atenção imediata. Fisiopatologicamente, em um estado de jejum prolongado, o corpo de um lactente normalmente mobilizaria ácidos graxos para a produção de energia e corpos cetônicos. No entanto, em deficiências da beta-oxidação, como as que afetam a Lançadeira de Carnitina (CPT-I ou CPT-II), os ácidos graxos de cadeia longa não conseguem entrar na mitocôndria. Isso impede a produção de ATP a partir de gorduras e a formação de corpos cetônicos, levando a uma dependência exclusiva da glicose e, consequentemente, à hipoglicemia severa e hipocetose. O tratamento agudo envolve a administração de glicose para reverter a hipoglicemia. O manejo a longo prazo inclui uma dieta com restrição de gorduras de cadeia longa e suplementação com triglicerídeos de cadeia média (TCM), que não necessitam da Lançadeira de Carnitina para entrar na mitocôndria. O prognóstico depende da gravidade da deficiência e da adesão ao tratamento, com monitoramento rigoroso para evitar novos episódios de descompensação metabólica.
A gliconeogênese (produção de glicose) requer muita energia (ATP) e poder redutor (NADH), que vêm majoritariamente da beta-oxidação durante o jejum.
O cérebro não oxida ácidos graxos significativamente para energia, preferindo glicose ou corpos cetônicos; por isso ele sofre quando a cetogênese falha.
O Malonil-CoA, o primeiro intermediário da síntese de ácidos graxos, inibe a CPT-I para evitar um ciclo fútil (queimar e fabricar gordura ao mesmo tempo).
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