Hipoglicemia em Etilistas: Tiamina Antes da Glicose

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem etilista de 70 anos vem trazido por amigos por crise convulsiva tônicoclônica generalizada. Ao entrar na sala de emergência, encontra-se em estado pós-ictal, sonolento, pouco responsivo, mantendo estabilidade hemodinâmica e glicemia capilar 45 mg/dL. Amigos negam história de traumatismo cranioencefálico. Nesse caso, a conduta imediata deve ser prescrever

Alternativas

  1. A) tiamina seguida de glicose a 50% endovenosas. Solicitar eletrólitos e coletar líquido cefalorraquidiano.
  2. B) glicose a 50% endovenosa. Solicitar eletrólitos e tomografia de crânio.
  3. C) glicose a 50% seguida de tiamina e diazepam endovenosos, coletar líquido cefalorraquidiano após tomografia de crânio.
  4. D) glicose a 50% seguida de diazepam endovenosos. Vigilância neurológica, e alta após 6 horas, caso não apresente nova crise.
  5. E) tiamina seguida de glicose a 50% endovenosas. Solicitar eletrólitos.

Pérola Clínica

Etilista com crise convulsiva e hipoglicemia → Tiamina EV antes da glicose para prevenir Wernicke.

Resumo-Chave

Em pacientes etilistas com hipoglicemia e alteração do nível de consciência, a administração de tiamina endovenosa *antes* da glicose é crucial. Isso previne a precipitação ou agravamento da encefalopatia de Wernicke, uma complicação neurológica grave da deficiência de tiamina.

Contexto Educacional

A hipoglicemia é uma emergência comum, e sua etiologia em pacientes etilistas crônicos é multifatorial, incluindo depleção de glicogênio hepático, desnutrição e efeitos do álcool no metabolismo da glicose. A apresentação clínica pode variar de tremores e sudorese a alterações neurológicas graves, como confusão mental, coma e crises convulsivas, mimetizando outras condições neurológicas. O reconhecimento rápido e a correção da hipoglicemia são vitais para prevenir danos cerebrais permanentes. A deficiência de tiamina é uma complicação frequente do alcoolismo crônico devido à ingestão inadequada, má absorção e aumento da demanda metabólica. A tiamina é crucial para o metabolismo de carboidratos, e sua deficiência pode levar à encefalopatia de Wernicke, uma condição neurológica grave caracterizada pela tríade de oftalmoplegia, ataxia e alteração do estado mental. Se não tratada, pode progredir para a psicose de Korsakoff, com amnésia anterógrada e confabulação. No manejo de um paciente etilista com alteração do nível de consciência e hipoglicemia, a prioridade é a administração de tiamina endovenosa antes da glicose. A glicose sem tiamina pode precipitar ou agravar a encefalopatia de Wernicke. Após a tiamina, a correção da hipoglicemia com glicose a 50% EV é imperativa. Além disso, é fundamental solicitar exames laboratoriais como eletrólitos, função renal e hepática para uma avaliação completa e manejo das comorbidades associadas ao alcoolismo.

Perguntas Frequentes

Por que a tiamina deve ser administrada antes da glicose em etilistas?

A tiamina (vitamina B1) é um cofator essencial no metabolismo da glicose. Em etilistas crônicos, a deficiência de tiamina é comum. A administração de glicose sem tiamina pode acelerar o metabolismo e esgotar as reservas já baixas de tiamina, precipitando ou piorando a encefalopatia de Wernicke.

Quais são os sinais da encefalopatia de Wernicke?

A tríade clássica da encefalopatia de Wernicke inclui alteração do estado mental (confusão, letargia), ataxia (dificuldade de coordenação motora) e oftalmoplegia (paralisia dos músculos oculares, como nistagmo ou paralisia do VI nervo). Nem todos os três sinais estão sempre presentes.

Qual a conduta inicial para uma crise convulsiva em um paciente com hipoglicemia?

A conduta imediata é corrigir a hipoglicemia. Em etilistas, isso envolve a administração de tiamina endovenosa (geralmente 100 mg) seguida de glicose a 50% endovenosa. Monitorar o paciente para recorrência da crise e investigar outras causas.

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