Hipoglicemia Aguda: Diagnóstico e Conduta Imediata

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente feminina, 81 anos, HAS em uso de IECA e tiazídico, doença arterial coronariana em uso de AAS e clopidogrel, diabética insulino-dependente. Trazida ao pronto-atendimento por rebaixamento do nível de consciência há menos de 2h, sudorese, taquicardia, confusão mental associada a tremores de extremidades. Ao exame: obnubilada, Glasgow 9 (AO 2, RV 3, RM 4), PA 160/90mmHg, FC 110bpm, BCRNF com sopro mesossistólico discreto em foco aórtico, ausculta pulmonar normal, saturando 94% em ar ambiente, sem déficits neurológicos focais. Qual o primeiro diagnóstico a ser cogitado e qual conduta imediata?

Alternativas

  1. A) Hipoglicemia: aferir glicemia capilar e providenciar acesso venoso calibroso e reposição de solução de glicose.
  2. B) Anemia aguda por hemorragia digestiva alta decorrente da dupla antiagregação plaquetária: reposição volêmica com cristaloides e endoscopia digestiva alta de emergência
  3. C) Sepse urinária: ressuscitação volêmica, coleta de hemoculturas (2 amostras) e antibiótico venoso dentro da primeira hora de atendimento
  4. D) Hiponatremia induzida pelo diurético: suspensão imediata do tiazídico, dosagem de sódio sérico e reposição com solução isotônica ou hipertônica conforme resultado do laboratório
  5. E) Síncope por estenose aórtica: ECG, RX de tórax, ressuscitação volêmica parcimoniosa e aas.

Pérola Clínica

Paciente diabético insulino-dependente com rebaixamento de consciência + sudorese + taquicardia + tremores → Hipoglicemia até prova em contrário. Aferir glicemia e repor glicose IV.

Resumo-Chave

O quadro clínico de rebaixamento de consciência, sudorese, taquicardia, confusão mental e tremores em um paciente diabético insulino-dependente é altamente sugestivo de hipoglicemia. A conduta inicial é aferir a glicemia capilar e, se confirmada, iniciar a reposição de glicose imediatamente.

Contexto Educacional

O caso descreve uma paciente idosa, polimedicada e diabética insulino-dependente, que apresenta um quadro agudo de rebaixamento do nível de consciência, sudorese, taquicardia, confusão mental e tremores. Essa constelação de sintomas é altamente sugestiva de hipoglicemia, uma emergência médica comum em pacientes diabéticos, especialmente aqueles em uso de insulina ou sulfonilureias. Os sintomas adrenérgicos (sudorese, taquicardia, tremores) e neuroglicopênicos (confusão mental, rebaixamento de consciência) são clássicos da hipoglicemia. A idade avançada e as comorbidades da paciente aumentam o risco de eventos hipoglicêmicos graves. Diante dessa apresentação, a prioridade máxima é confirmar a hipoglicemia com uma glicemia capilar e, se presente, iniciar a reposição de glicose imediatamente para reverter o quadro e prevenir danos cerebrais. As outras alternativas, embora representem condições que podem ocorrer em pacientes idosos e polimedicados, são menos prováveis como primeira hipótese diante da rapidez do início dos sintomas e da especificidade do quadro. A anemia aguda, sepse urinária, hiponatremia ou síncope por estenose aórtica teriam apresentações clínicas e evoluções tipicamente diferentes. A hipoglicemia exige uma resposta rápida e padronizada para garantir a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da hipoglicemia?

Os sintomas da hipoglicemia podem ser divididos em adrenérgicos (sudorese, taquicardia, tremores, ansiedade) e neuroglicopênicos (confusão mental, sonolência, tontura, convulsões, coma).

Qual a primeira medida a ser tomada em caso de suspeita de hipoglicemia?

A primeira medida é aferir a glicemia capilar imediatamente. Se o paciente estiver consciente e cooperativo, oferecer carboidratos de rápida absorção. Se inconsciente ou com rebaixamento de consciência, garantir acesso venoso e administrar glicose intravenosa.

Por que a hipoglicemia é uma emergência médica?

A hipoglicemia é uma emergência porque a glicose é a principal fonte de energia para o cérebro. Níveis muito baixos de glicose podem levar rapidamente a disfunção cerebral, danos neurológicos permanentes e até morte se não tratada prontamente.

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