USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Mulher, 66 anos, com hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2 há 20 anos, relata vários episódios de hipoglicemia no último mês. Está em uso de losartana, metformina e gliclazida. Nega poliúria, polidipsia ou alteração do peso. Exame físico sem alterações. Glicemia de jejum = 142 mg/dL e hemoglobina glicada = 6,2% (VR: 4,3-6,1). Qual é o principal exame para diagnóstico do quadro clínico atual?
Idoso DM2 + gliclazida + hipoglicemia recorrente → investigar função renal (creatinina sérica).
Em pacientes idosos com diabetes tipo 2 em uso de sulfonilureias (como a gliclazida) e com episódios de hipoglicemia, a avaliação da função renal é crucial. A insuficiência renal pode prolongar a meia-vida desses medicamentos, aumentando o risco de hipoglicemia, mesmo com doses habituais.
Pacientes idosos com diabetes mellitus tipo 2, especialmente aqueles com longa duração da doença e comorbidades como hipertensão, são particularmente vulneráveis a episódios de hipoglicemia. A presença de hipoglicemias recorrentes em um paciente que utiliza sulfonilureias, como a gliclazida, deve sempre levantar a suspeita de comprometimento da função renal, mesmo que o paciente não relate sintomas clássicos de doença renal. A gliclazida, assim como outras sulfonilureias, é metabolizada no fígado e seus metabólitos são excretados pelos rins. Em casos de insuficiência renal, a depuração desses metabólitos pode ser reduzida, levando ao acúmulo da droga e prolongamento de sua ação hipoglicemiante. Isso aumenta significativamente o risco de hipoglicemia, que pode ser grave e prolongada em idosos, com consequências como quedas, arritmias e declínio cognitivo. Portanto, a avaliação da função renal através da creatinina sérica e do cálculo da taxa de filtração glomerular é o passo diagnóstico mais importante neste cenário. A identificação de insuficiência renal exige o ajuste da dose ou a substituição da gliclazida por um agente antidiabético mais seguro para pacientes com função renal comprometida, como inibidores da DPP-4 (com ajuste de dose) ou agonistas do GLP-1. O objetivo é manter o controle glicêmico sem induzir hipoglicemia, priorizando a segurança do paciente idoso.
A creatinina sérica é crucial para avaliar a função renal. A insuficiência renal pode reduzir a depuração de medicamentos como a gliclazida, levando ao seu acúmulo e, consequentemente, a episódios de hipoglicemia.
As sulfonilureias são metabolizadas e/ou excretadas pelos rins. Em pacientes com disfunção renal, sua meia-vida pode ser prolongada, aumentando o risco de hipoglicemia prolongada e grave.
Além da insuficiência renal, outras causas incluem doses excessivas de insulina ou hipoglicemiantes orais, má alimentação, exercícios intensos, insuficiência hepática, insuficiência adrenal e interações medicamentosas.
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