HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Mulher, 68 anos, com diabetes mellitus tipo 2 insulino-dependente, chega à unidade de saúde ás 7h, agitada e com tremores. Refere que não vem alimentando-se adequadamente (come muito pouco), que hoje só bebeu água ao acordar e que realizou a insulina NPH da manhã. Em uso de: insulina NPH 30 UI manhã e 20 UI às 22h e insulina regular 8 UI antes do almoço. Ao exame físico: lúcida, PA 150/90 mmHg, FC 62 bpm, HGT 54 mg/dL, demais sem particularidades. Conforme os critérios da Associação Americana de Diabetes, afirma-se:I. Esse quadro clínico é classificado como hipoglicemia grave.II. Deve-se administrar 20 ml_ de glicose 50% e manter glicose intravenosa a 10% até glicemia >80mg/dL.III. A administração de insulina que provavelmente causou a hipoglicemia foi realizada às 22h. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
Hipoglicemia < 70 mg/dL com sintomas neuroglicopênicos = hipoglicemia sintomática. NPH noturna pode causar hipoglicemia matinal.
A paciente apresenta hipoglicemia (HGT 54 mg/dL) com sintomas neuroglicopênicos (agitação, tremores), o que a classifica como hipoglicemia sintomática, mas não necessariamente grave pela definição da ADA (que exige alteração cognitiva grave ou necessidade de auxílio). A insulina NPH administrada às 22h tem um pico de ação que pode se estender até a manhã seguinte, sendo uma causa provável da hipoglicemia matinal, especialmente com jejum prolongado.
A hipoglicemia é uma complicação frequente e potencialmente grave do tratamento do diabetes, especialmente em pacientes que utilizam insulina ou sulfonilureias. É definida por níveis de glicose plasmática abaixo de 70 mg/dL e pode levar a sintomas neuroglicopênicos e autonômicos, com risco de danos neurológicos permanentes e até morte se não tratada prontamente. A fisiopatologia da hipoglicemia envolve um desequilíbrio entre a oferta de glicose e a ação da insulina ou outros hipoglicemiantes. Fatores como doses excessivas de medicação, refeições atrasadas ou insuficientes, exercícios físicos intensos e consumo de álcool podem precipitar um episódio. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e confirmado pela glicemia capilar ou plasmática. O manejo da hipoglicemia depende da gravidade e do estado de consciência do paciente. Para hipoglicemia leve a moderada em pacientes conscientes, a administração oral de carboidratos de ação rápida é a primeira linha. Em casos de hipoglicemia grave ou inconsciência, glicose intravenosa ou glucagon intramuscular/subcutâneo são indicados. A prevenção é fundamental, através da educação do paciente, ajuste das doses de medicação e monitorização regular da glicemia. Residentes devem dominar a classificação, o tratamento e a identificação das causas da hipoglicemia.
A ADA classifica a hipoglicemia em 3 níveis: Nível 1 (alerta de glicose) < 70 mg/dL; Nível 2 (hipoglicemia clinicamente significativa) < 54 mg/dL; e Nível 3 (hipoglicemia grave) que requer assistência de outra pessoa devido a comprometimento cognitivo ou físico.
A insulina NPH é uma insulina de ação intermediária, com início de ação em 1-2 horas, pico de ação entre 4-12 horas e duração de até 24 horas. A dose noturna pode causar hipoglicemia nas primeiras horas da manhã, especialmente se houver jejum ou alimentação insuficiente.
Para pacientes conscientes, a conduta inicial é a "regra dos 15": administrar 15g de carboidrato de ação rápida (ex: suco, refrigerante não diet, glicose em gel), reavaliar a glicemia em 15 minutos e repetir se necessário, até que a glicemia esteja > 70 mg/dL.
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