UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Mulher, 62 anos, obesa (IMC= 32 Kg/m2), com ganho progressivo de peso a partir dos 40 anos, diabética, hipertensa e dislipidêmica, com diagnóstico em torno dos 50 anos. Está em acompanhamento na unidade básica de saúde e em uso de: metformina 850 mg, 2 vezes ao dia; glibenciamida 5 mg, 3 vezes ao dia; enalapril 10 mg, 2 vezes ao dia e sinvastatina 40mg à noite. A paciente iniciou atividade física há 1 mês, 1 h de caminhada diariamente pela manhã e musculação 3 vezes por semana no final da tarde. Em consulta de reavaliação, queixou-se de sudorese excessiva, visão embaçada, fala arrastada e percepção de desmaio à noite, nos dias de caminhada e musculação. Melhorava com ingesta alimentar. Qual das medicações em uso é mais comumente associada à sintomatologia relatada pela paciente?
Glibenclamida (sulfonilureia) + exercício físico intenso → alto risco de hipoglicemia, especialmente em idosos.
A glibenclamida é uma sulfonilureia que estimula a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas, independentemente dos níveis de glicose. Isso confere um alto risco de hipoglicemia, especialmente quando associada a exercício físico intenso ou irregularidade alimentar, como visto na paciente que iniciou atividade física e apresentou sintomas neuroglicopênicos e autonômicos.
A hipoglicemia é uma complicação comum e potencialmente grave do tratamento do Diabetes Mellitus, especialmente em pacientes que utilizam medicamentos que estimulam a secreção de insulina, como as sulfonilureias (ex: glibenclamida) ou a própria insulina. A glibenclamida atua fechando os canais de potássio ATP-sensíveis nas células beta pancreáticas, levando à despolarização e liberação de insulina, independentemente dos níveis de glicose no sangue. Isso a torna um agente potente, mas com alto risco de hipoglicemia. Os sintomas de hipoglicemia podem ser divididos em autonômicos (sudorese, tremores, palpitações, fome) e neuroglicopênicos (visão embaçada, fala arrastada, confusão, tontura, fraqueza, desmaio), resultantes da privação de glicose no cérebro. A paciente do caso, uma idosa com múltiplos fatores de risco e em uso de glibenclamida, iniciou atividade física intensa sem ajuste da medicação, o que aumentou significativamente seu gasto energético e a captação de glicose pelos músculos, potencializando o efeito hipoglicemiante da glibenclamida. O manejo da hipoglicemia envolve a ingestão imediata de carboidratos de rápida absorção. Para prevenir novos episódios, é fundamental reavaliar o esquema terapêutico, ajustar as doses dos medicamentos (especialmente sulfonilureias e insulina) em relação à dieta e ao nível de atividade física, e educar o paciente sobre o reconhecimento dos sintomas e o manejo da hipoglicemia. A metformina, por outro lado, tem um risco muito baixo de causar hipoglicemia isoladamente, pois sua ação não depende da secreção de insulina.
Os sintomas clássicos da hipoglicemia incluem sudorese excessiva, tremores, taquicardia, fome, visão embaçada, fala arrastada, confusão mental, tontura e, em casos graves, perda de consciência ou convulsões.
A glibenclamida, uma sulfonilureia, estimula a secreção de insulina de forma independente dos níveis de glicose, podendo levar à hiperinsulinemia e hipoglicemia. A metformina, por outro lado, age principalmente reduzindo a produção hepática de glicose e aumentando a sensibilidade à insulina, com baixo risco de hipoglicemia isoladamente.
O exercício físico aumenta a captação de glicose pelos músculos e a sensibilidade à insulina, podendo potencializar o efeito de medicamentos como a glibenclamida e a insulina, elevando o risco de hipoglicemia, especialmente se a dose da medicação não for ajustada ou a ingestão alimentar for inadequada.
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