Cuidados Paliativos: Manejo da Dor e Agitação Terminal

SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 88 anos, internada na clínica médica por quadro de pneumonia broncoaspirativa, com histórico de Alzheimer avançado completamente dependente das atividades básicas do dia a dia. Após 2 semanas de tratamento adequado e não resposta clínica, segue com piora progressiva. Em conversa do diarista junto com os familiares, optamos pela não realização de medidas invasivas. O paciente encontra-se agitado, desorientado, em uso de haloperidol intermitente e de morfina em bomba na vazão de 2,5mg/hora para alívio de dor e dispneia. Paciente perdeu o acesso periférico e não foi possível obter um novo periférico. Qual a melhor conduta para o momento:

Alternativas

  1. A) Morfina e midazolam por hipodermoclise.
  2. B) Morfina com diazepam por hipodermoclise.
  3. C) Aumentar a dose de morfina por hipodermoclise.
  4. D) Aumentar a dose de morfina por acesso central.
  5. E) Não fazer mais nada já que o paciente é paliativo.

Pérola Clínica

Paciente paliativo agitado com dor/dispneia e sem acesso IV → Morfina + Midazolam por hipodermóclise é a melhor conduta.

Resumo-Chave

Em pacientes em cuidados paliativos com dificuldade de acesso venoso, a via subcutânea (hipodermóclise) é uma excelente alternativa para administração de medicamentos como morfina e midazolam, garantindo conforto e controle de sintomas de forma eficaz.

Contexto Educacional

Cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida. O manejo de sintomas como dor, dispneia e agitação é crucial, especialmente na fase final. A pneumonia broncoaspirativa em pacientes com Alzheimer avançado é um cenário comum que demanda uma abordagem focada no conforto e na dignidade do paciente. A escolha da via de administração de medicamentos é fundamental. Em situações onde o acesso venoso é inviável, a hipodermóclise (via subcutânea) surge como uma alternativa segura e eficaz. Ela permite a administração contínua ou intermitente de diversos fármacos, garantindo o controle sintomático sem a necessidade de procedimentos invasivos adicionais, sendo bem tolerada e de fácil manejo. A combinação de morfina para dor e dispneia, e midazolam para agitação, é uma estratégia comum e bem estabelecida em cuidados paliativos. A dose deve ser titulada individualmente para alcançar o conforto do paciente, respeitando sempre os princípios da ortotanásia e a vontade expressa ou presumida do paciente e familiares. O objetivo é aliviar o sofrimento e proporcionar uma passagem tranquila.

Perguntas Frequentes

Quando a hipodermóclise é indicada em cuidados paliativos?

A hipodermóclise é indicada quando o acesso venoso é difícil ou impossível, ou quando o paciente não consegue deglutir, sendo uma via eficaz e confortável para administração de fluidos e medicamentos em cuidados paliativos, promovendo conforto e controle de sintomas.

Quais medicamentos podem ser administrados por via subcutânea em pacientes terminais?

Diversos medicamentos podem ser administrados por via subcutânea, incluindo opioides (morfina), benzodiazepínicos (midazolam), antieméticos (ondansetrona, haloperidol) e anticolinérgicos (butilbrometo de escopolamina), visando o controle de sintomas como dor, dispneia, náuseas e agitação.

Qual a importância do midazolam no manejo da agitação em cuidados paliativos?

O midazolam é um benzodiazepínico de curta ação, útil para controlar a agitação e o delírio em pacientes terminais, especialmente quando associado à morfina para manejo da dor e dispneia. Ele promove sedação e alívio da angústia, contribuindo significativamente para o conforto do paciente.

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