HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025
Paciente no terceiro dia após cirurgia de ressecção intestinal por obstrução intestinal apresenta vômitos de conteúdo alimentar e distensão abdominal.Na ausculta, não se detecta peristaltismo.Qual distúrbio hidroeletrolítico pode estar relacionado ao quadro clínico do paciente?
Íleo paralítico pós-cirurgia + vômitos → ↑ perdas gastrointestinais = Hipocalemia.
A hipocalemia é um distúrbio hidroeletrolítico comum no pós-operatório de cirurgias abdominais, especialmente quando há íleo paralítico e vômitos. As perdas gastrointestinais de potássio são significativas, e a ausência de peristaltismo impede a absorção, agravando o quadro.
A hipocalemia é um distúrbio eletrolítico frequente e potencialmente grave no período pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais que envolvem manipulação intestinal ou resultam em íleo paralítico. Sua prevalência é alta devido a múltiplos fatores, incluindo perdas gastrointestinais por vômitos ou drenagens, desvio de fluidos para o terceiro espaço e alterações hormonais induzidas pelo estresse cirúrgico. O reconhecimento precoce e a correção adequada são cruciais para prevenir complicações sérias. Fisiopatologicamente, a perda de potássio ocorre principalmente através do trato gastrointestinal. A ausência de peristaltismo, característica do íleo paralítico, impede a progressão do conteúdo intestinal e agrava os vômitos, perpetuando o ciclo de perda eletrolítica. O diagnóstico é confirmado pela dosagem sérica de potássio, e a suspeita clínica deve surgir em pacientes com distensão abdominal, vômitos e ausência de ruídos hidroaéreos no pós-operatório. O tratamento da hipocalemia envolve a reposição de potássio, que deve ser cuidadosa e monitorada, especialmente em pacientes com disfunção renal. A via de administração (oral ou intravenosa) depende da gravidade e da capacidade de absorção do paciente. A correção da hipocalemia é fundamental para a recuperação do peristaltismo e para evitar complicações como arritmias cardíacas, que podem ser fatais. É um ponto chave na recuperação pós-cirúrgica.
A hipocalemia pode manifestar-se com fraqueza muscular, fadiga, cãibras, constipação, íleo paralítico e arritmias cardíacas. A ausência de peristaltismo e distensão abdominal são achados comuns no pós-operatório.
Vômitos e drenagens gastrointestinais resultam em perda direta de potássio. Além disso, o estresse cirúrgico e a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona podem aumentar a excreção renal de potássio, contribuindo para a hipocalemia.
A conduta inicial envolve a reposição de potássio, preferencialmente por via intravenosa em casos de vômitos e íleo, monitorando os níveis séricos e a função renal. O tratamento da causa subjacente, como o íleo, também é fundamental.
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