Hipocalemia Grave: Manejo Urgente e Achados no ECG

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 50 anos, sexo masculino, admitido devido à diarreia aguda, volumosa, sem sangue, pus, ou febre, de 6 a 8 episódios diários, acompanhados de vômitos há 4 dias, evoluindo com desidratação sintomática. Admitido em uma unidade de pronto atendimento, com PA de 80 x 40 mmHg e FC de 140 bpm, com melhora após 1.500 ml endovenoso de solução de cloreto de sódio a 0,9%. Exames laboratoriais na admissão: hemoglobina = 12,4 mg/dl; leucócitos = 11.200/mm³; neutrófilos = 85%; bastonetes = 4%; plaquetas = 145.000; creatinina = 1,6 mg/dl; ureia = 104 mg/dl; K = 1,9 mEq/L; pH = 7,32; HCO3 = 15,6 mmol/L; Na = 152 mEq/L. Após as medidas iniciais de hidratação, foi realizado eletrocardiograma no paciente, que revelou: ritmo de bradicardia sinusal com onda P de 3 mm de amplitude, intervalo PR de 240ms, QRS de 170ms de duração, extrassístoles ventriculares, depressão do segmento ST, seguido de inversão de onda T e presença de onda U. Assinale a conduta inicial mais adequada:

Alternativas

  1. A) Providenciar um acesso venoso central imediatamente.
  2. B) Administrar gluconato de cálcio venoso, imediatamente, para estabilização da membrana da célula cardíaca.
  3. C) Solicitar vaga em unidade de terapia intensiva com urgência.
  4. D) Iniciar infusão de potássio em dois acessos venosos periféricos.

Pérola Clínica

Hipocalemia grave (<2.5 mEq/L) com alterações ECG → reposição urgente de potássio IV em acessos múltiplos.

Resumo-Chave

O paciente apresenta hipocalemia grave (K=1.9 mEq/L) com alterações eletrocardiográficas significativas (onda U, depressão ST, inversão T, arritmias, prolongamento PR/QRS), que indicam risco iminente de arritmias fatais. A conduta inicial mais adequada é a reposição urgente de potássio, preferencialmente por via venosa e em múltiplos acessos para acelerar a correção.

Contexto Educacional

A hipocalemia grave, definida por níveis séricos de potássio abaixo de 2,5 mEq/L, é uma emergência médica que pode levar a arritmias cardíacas fatais. No caso apresentado, a diarreia aguda volumosa causou uma perda significativa de potássio, resultando em um nível de 1,9 mEq/L, acompanhado de desidratação grave e acidose metabólica. As alterações eletrocardiográficas, como depressão do segmento ST, inversão da onda T, presença de onda U proeminente, prolongamento do PR e QRS, e extrassístoles ventriculares, são marcadores de cardiotoxicidade e indicam a necessidade de intervenção imediata. A conduta inicial mais adequada para a hipocalemia grave com alterações eletrocardiográficas é a reposição urgente de potássio por via intravenosa. A taxa de infusão deve ser cuidadosamente monitorada, mas em situações de risco de vida, pode ser mais agressiva (20-40 mEq/hora), preferencialmente em unidade de terapia intensiva e por múltiplos acessos venosos periféricos para evitar irritação local e acelerar a correção. É fundamental a monitorização contínua do ECG e dos níveis séricos de potássio. A correção da desidratação e da acidose metabólica também são partes integrantes do tratamento. É crucial diferenciar a hipocalemia de outras disfunções eletrolíticas. O gluconato de cálcio, por exemplo, é utilizado para estabilizar a membrana cardíaca em casos de hipercalemia grave, não hipocalemia. A reposição de potássio deve ser realizada com cautela para evitar hipercalemia iatrogênica, que também pode ser fatal. A identificação precoce e o tratamento agressivo da hipocalemia grave são pilares para prevenir complicações cardíacas e neurológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são as alterações eletrocardiográficas típicas da hipocalemia grave?

As alterações típicas incluem depressão do segmento ST, inversão da onda T, aparecimento de onda U proeminente, prolongamento do intervalo PR e QRS, e arritmias como extrassístoles ventriculares ou taquicardia ventricular.

Qual a velocidade máxima de infusão de potássio em hipocalemia grave?

Em hipocalemia grave com alterações no ECG, a infusão de potássio pode ser feita a uma taxa de 20-40 mEq/hora, monitorando o paciente em UTI. Em casos sem alterações no ECG, a taxa geralmente não excede 10-20 mEq/hora.

Por que a diarreia pode causar hipocalemia e acidose metabólica?

A diarreia volumosa leva à perda de potássio e bicarbonato nas fezes, resultando em hipocalemia e acidose metabólica com ânion gap normal. A desidratação também pode agravar o quadro.

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