Hipocalemia: Reposição de Potássio e Riscos de Flebite

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 72 anos chega à unidade de saúde relatando ter insuficiência cardíaca congestiva, fazendo uso regular de diuréticos. Refere quadro de fadiga e de fraqueza em MMII.Com relação à hipocalemia, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A concentração máxima em veia periférica e diluída em soro fisiológico é de até 125 mEq/hora.
  2. B) O ECG, frequentemente, mostrará onda T apiculada e menor amplitude da onda U.
  3. C) Dor e flebite podem ocorrer em velocidade de reposição acima de 10 mEq/hora.
  4. D) Se houver hipomagnesemia associada, apenas a correção da hipocalemia será suficiente para corrigi-la também.

Pérola Clínica

Reposição de potássio > 10 mEq/h via periférica → risco de dor e flebite.

Resumo-Chave

A reposição intravenosa de potássio deve ser feita com cautela, especialmente em veias periféricas. Velocidades de infusão acima de 10 mEq/hora são frequentemente associadas a dor local e flebite devido à irritação da veia pelo potássio, que é um eletrólito irritante. A concentração e a velocidade devem ser ajustadas para minimizar esses riscos.

Contexto Educacional

A hipocalemia, definida como níveis séricos de potássio abaixo de 3,5 mEq/L, é um distúrbio eletrolítico comum, especialmente em pacientes idosos com comorbidades como insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e em uso de diuréticos. Os diuréticos de alça e tiazídicos aumentam a excreção renal de potássio, predispondo à hipocalemia. Clinicamente, pode manifestar-se com fraqueza muscular, fadiga, cãibras e, em casos graves, arritmias cardíacas e paralisia. A reposição de potássio intravenoso é frequentemente necessária em casos de hipocalemia sintomática ou grave. É crucial que a administração seja feita com cautela. A velocidade de infusão máxima recomendada para veias periféricas é de 10 mEq/hora, e a concentração não deve exceder 40-60 mEq/L. Velocidades e concentrações mais altas podem causar dor local intensa e flebite, devido à irritação química do endotélio vascular pelo potássio. Além disso, é importante lembrar que a hipomagnesemia frequentemente coexiste com a hipocalemia e pode dificultar a correção do potássio, pois o magnésio é essencial para a função da bomba Na+/K+-ATPase. Portanto, em casos de hipocalemia refratária, a avaliação e correção da hipomagnesemia são mandatórias. O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta importante para monitorar os efeitos cardíacos da hipocalemia, que incluem achatamento da onda T, depressão do segmento ST e ondas U proeminentes.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hipocalemia em pacientes com insuficiência cardíaca?

Em pacientes com insuficiência cardíaca, a hipocalemia é frequentemente causada pelo uso de diuréticos de alça ou tiazídicos, que aumentam a excreção renal de potássio. Outras causas incluem vômitos, diarreia e hiperaldosteronismo secundário.

Quais são as alterações eletrocardiográficas esperadas na hipocalemia?

Na hipocalemia, o ECG classicamente mostra achatamento ou inversão da onda T, depressão do segmento ST e, mais caracteristicamente, o surgimento de ondas U proeminentes. Ondas T apiculadas são vistas na hipercalemia, não na hipocalemia.

Por que a correção da hipomagnesemia é importante na hipocalemia refratária?

A hipomagnesemia pode dificultar a correção da hipocalemia, pois o magnésio é um cofator essencial para a atividade da bomba Na+/K+-ATPase, responsável pela entrada de potássio nas células. Sem magnésio adequado, a reposição de potássio pode ser ineficaz, tornando a correção da hipomagnesemia crucial.

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