Hipocalcemia Pós-Tireoidectomia: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 65 anos, hipertenso em uso regular de captopril, foi submetido a tireoidectomia total por carcinoma papilífero, sem intercorrências. No primeiro dia de pós-operatório, queixava-se de parestesias, principalmente em torno da boca e nas mãos, e de que estava com dificuldade de estender os quirodáctilos. Exame físico: bom estado geral, sem rouquidão, normotenso, sem arritmias. A conduta mais adequada para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Iniciar a reposição de cálcio
  2. B) Iniciar a reposição de tiroxina
  3. C) Administrar benzodiazepínico
  4. D) Aumentar a reposição de potássio

Pérola Clínica

Parestesia perioral + dificuldade estender quirodáctilos (Trousseau) pós-tireoidectomia = Hipocalcemia → Reposição de cálcio.

Resumo-Chave

Parestesias periorais e nas mãos, juntamente com a dificuldade de estender os quirodáctilos (sinal de Trousseau), no pós-operatório imediato de tireoidectomia total, são sinais clássicos de hipocalcemia aguda devido a lesão ou remoção inadvertida das glândulas paratireoides. A conduta imediata é a reposição de cálcio.

Contexto Educacional

A hipocalcemia é uma das complicações mais frequentes e clinicamente relevantes após a tireoidectomia total, ocorrendo em até 30% dos pacientes, dependendo da extensão da cirurgia e da experiência do cirurgião. Ela resulta da lesão, remoção inadvertida ou isquemia das glândulas paratireoides, que são responsáveis pela produção do paratormônio (PTH), hormônio essencial para a regulação dos níveis séricos de cálcio. A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento precoce e manejo adequado para prevenir complicações graves como tetania, convulsões e arritmias cardíacas. A fisiopatologia da hipocalcemia pós-tireoidectomia é o hipoparatireoidismo iatrogênico, que leva à diminuição da reabsorção renal de cálcio, redução da absorção intestinal de cálcio (devido à menor ativação da vitamina D) e menor liberação de cálcio dos ossos. Os sintomas geralmente surgem nas primeiras 24 a 72 horas após a cirurgia e incluem parestesias (formigamento) periorais e nas extremidades (mãos e pés), cãibras musculares, espasmos e, em casos mais graves, tetania. Os sinais de Chvostek (espasmo facial ao percutir o nervo facial) e Trousseau (espasmo carpopedal após insuflar manguito de pressão arterial) são indicativos de excitabilidade neuromuscular aumentada. A conduta mais adequada para a hipocalcemia sintomática é a reposição imediata de cálcio. Em casos de sintomas leves, pode-se iniciar com cálcio oral e vitamina D. Para hipocalcemia sintomática grave ou com sinais de tetania, a reposição intravenosa de gluconato de cálcio é imperativa, seguida de manutenção oral. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas alguns pacientes podem desenvolver hipoparatireoidismo permanente, necessitando de reposição de cálcio e vitamina D por toda a vida. O monitoramento dos níveis de cálcio e PTH no pós-operatório é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da hipocalcemia aguda?

Os sintomas incluem parestesias (especialmente periorais e nas extremidades), espasmos musculares, cãibras, tetania, irritabilidade neuromuscular (sinais de Chvostek e Trousseau), e em casos graves, convulsões e arritmias cardíacas.

Por que a hipocalcemia é uma complicação comum após tireoidectomia total?

Durante a tireoidectomia total, as glândulas paratireoides, responsáveis pela produção de paratormônio (PTH) e regulação do cálcio, podem ser inadvertidamente lesadas, removidas ou sofrer isquemia, resultando em hipoparatireoidismo transitório ou permanente e consequente hipocalcemia.

Qual a conduta inicial para a hipocalcemia sintomática pós-tireoidectomia?

A conduta inicial para hipocalcemia sintomática é a reposição intravenosa de cálcio (geralmente gluconato de cálcio), seguida por cálcio oral e vitamina D (calcitriol) para manter os níveis séricos adequados e prevenir recorrências.

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